A Justiça do Distrito Federal deve definir nos próximos dias o futuro dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O trio foi denunciado pelas perdas da vida de três pacientes entre novembro e dezembro de 2025 na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A primeira fase de instrução, que incluiu a coleta de provas e depoimentos, terminou na última quinta-feira.

Com o encerramento desta etapa processual, o juiz analisará os elementos apresentados nas alegações finais para decidir se há base legal suficiente para mandar os réus para o Tribunal do Júri. Na decisão, o magistrado poderá optar entre a pronúncia, a impronúncia, a desclassificação ou a absolvição sumária. Cada um desses caminhos jurídicos possui consequências distintas para o andamento do processo criminal.

Mais de 32 testemunhas foram ouvidas durante as audiências de instrução realizadas no Tribunal do Júri de Taguatinga entre o fim de maio e o início de junho. Os três técnicos de enfermagem prestaram depoimento por último, e nenhum deles admitiu participação nas ocorrências. Marcos Vinícius detalhou o contato que teve com as vítimas e afirmou que elas apresentaram piora no estado de saúde.

Durante seu depoimento, Marcela Camilly chorou e afirmou não saber o motivo de sua prisão, declarando que confiava no treinamento de Marcos Vinícius. A terceira a depor, Amanda Rodrigues de Sousa, relatou que esperava que o colega assumisse a responsabilidade e esclarecesse os fatos para a população e para a Justiça, mencionando ainda preocupações com sua segurança no estabelecimento prisional.

As investigações da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público foram embasadas em imagens de câmeras de segurança do hospital. Os registros mostram o momento em que Marcos Vinícius prescrevia substâncias utilizando o login de uma médica ausente, retirava os medicamentos na farmácia e aplicava injeções intravenosas nos pacientes. Imagens semelhantes também registraram outra envolvida manipulando produtos na farmácia da unidade.

A Operação Anúbis foi deflagrada pela Polícia Civil em janeiro para apurar as ocorrências na unidade hospitalar após denúncia da própria instituição de saúde. As vítimas identificadas foram o servidor dos Correios Marcos Moreira, o aposentado João Clemente Pereira e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva. Os três profissionais de enfermagem permanecem presos preventivamente enquanto aguardam os próximos desdobramentos judiciais do caso.