Levantamentos recentes realizados pelos institutos Quaest e Datafolha indicam que as disputas eleitorais para os governos estaduais podem ser definidas ainda no primeiro turno em pelo menos dezesseis estados. Esse cenário é impulsionado por polarizações consolidadas antes mesmo do início da campanha entre dois principais grupos políticos, além da forte popularidade de governadores que buscam a recondução ao cargo no pleito deste ano.

Em cinco estados, a tendência de conclusão no primeiro turno é marcada pelo confronto entre a base que comanda o governo estadual e o grupo com maior influência na prefeitura da capital. Esse panorama ocorre em Alagoas, Pernambuco, Bahia, Amapá e Sergipe, onde o atual governador tenta manter o posto frente a adversários ligados à gestão municipal.

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues disputa o cargo contra ACM Neto, que mantém aliança com a prefeitura de Salvador. Situação semelhante ocorre em Pernambuco, com a disputa entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos, e em Alagoas, com o embate entre o grupo governista ligado a Renan Filho e o ex-prefeito de Maceió JHC. No Ceará, a definição antecipada é apontada devido à concentração de intenções de voto nos candidatos Ciro Gomes e Elmano de Freitas.

Em estados como Amapá, ex-prefeitos buscam compensar a influência governamental no interior com votações expressivas na capital. Já em Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Paraíba, São Paulo e Santa Catarina, pelo menos seis chefes do executivo estadual contam com altos índices de aprovação popular para tentar a reeleição.

Governadores que assumiram os cargos após a renúncia dos titulares em abril também registram avanços nas pesquisas ao herdarem parte da popularidade dos antecessores. No Distrito Federal, estratégias distintas marcam a liderança nas pesquisas, enquanto em estados como Pará a disputa segue aberta para o segundo turno.

Em Roraima, o cenário aponta para a eleição de um representante do Partido Liberal, impulsionado pelo histórico de votação no estado. No Rio de Janeiro, o atual chefe municipal busca encerrar a disputa na primeira etapa, enquanto adversários tentam forçar o segundo turno com apoio do bolsonarismo. No Maranhão, o racha no grupo político estadual favorece candidaturas de oposição nas pesquisas locais.

A definição antecipada dos governos estaduais também gera reflexos nos cálculos da eleição presidencial. Historicamente, a abstenção de eleitores tende a aumentar no segundo turno em locais onde a disputa estadual já foi encerrada, fator que passa a integrar as estratégias das principais campanhas nacionais para o pleito.