Especialista elucida ataques de tubarão: Diferenças cruciais entre Noronha e Olinda
Pesquisador detalha como espécies e ambiente determinam gravidade de incidentes, após morte em Olinda e ferimentos em Noronha.
A morte trágica de um adolescente em Olinda e o ferimento leve de uma turista em Fernando de Noronha trouxeram à tona a necessidade de entender os incidentes com tubarões em Pernambuco. O engenheiro de pesca Léo Veras, com mais de três décadas de pesquisa em Noronha, oferece uma análise aprofundada sobre as distinções cruciais por trás da gravidade desses ataques.
Veras destaca que a chave para a diferença está na espécie e sua dentição. Enquanto Tayane Dalazen foi mordida por um tubarão-lixa em Noronha, cuja mandíbula e dentes pequenos são adaptados para sucção, o adolescente Deivson Rocha Dantas, vítima fatal em Olinda, foi atacado por um agressivo tubarão-cabeça-chata. "O tubarão-lixa tem dentes muito pequenos, que funcionam como uma placa. Já o tubarão-cabeça-chata tem dentes fortes, próprios para rasgar e cortar", explicou o pesquisador, enfatizando que as marcas dos dentes são como "impressões digitais" para a identificação da espécie e a gravidade do dano.
Além da agressividade inerente ao tubarão-cabeça-chata, Veras aponta as condições ambientais da Praia Del Chifre, em Olinda, como um fator crítico. A região, próxima à foz do Rio Capibaribe, torna-se um "estuário" com águas turvas e rica em detritos orgânicos, atraindo os tubarões em busca de alimento. "Os tubarões se aproximam dessas áreas próximas ao estuário em busca de alimento. Por isso, não se deve tomar banho nem praticar esportes naquela região", alertou, reforçando a necessidade de precaução em locais conhecidos por serem áreas de alimentação para estas espécies predadoras.
Fonte: G1