O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, interrompe um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual que vinha sendo realizado desde março. Este foi o primeiro encontro do colegiado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma das mudanças mais significativas no comunicado oficial foi a retirada da expressão “ciclo de calibração”, utilizada anteriormente para descrever a trajetória de redução dos juros. O Banco Central classificou o patamar atual da Selic como “substancialmente contracionista”, indicando que a taxa permanece em um nível elevado o suficiente para frear a atividade econômica e buscar o controle da inflação.
O cenário inflacionário pesou na decisão, uma vez que o índice oficial e a média dos núcleos superaram o limite superior da meta. O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,58% em setembro, superando a meta contínua de 3%, que possui uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. As projeções do mercado, coletadas pelo boletim Focus, também sofreram piora, subindo para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027.
O Banco Central destacou riscos de alta para a inflação, incluindo a volatilidade do câmbio e a política fiscal. O comunicado aponta preocupação com estímulos ao consumo que possam levar a economia a crescer acima do seu potencial, reduzindo a eficácia da política monetária. Entre as medidas recentes citadas no contexto econômico estão o reajuste de 15% no Bolsa Família e programas como o Desenrola 3.0.
Fatores externos também contribuíram para a cautela do comitê. O prolongamento de conflitos no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo, somado à manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, cria um ambiente adverso para países emergentes. A valorização do dólar frente ao real após o período eleitoral foi citada como um dos elementos que exigem atenção redobrada.
Por outro lado, o Banco Central reconheceu que a economia brasileira apresenta uma desaceleração mais acentuada do que o previsto anteriormente, especialmente em setores sensíveis aos juros e no mercado de trabalho. Apesar desse sinal de desaquecimento, que favoreceria novos cortes, o comitê priorizou a estabilização das expectativas inflacionárias.
O Copom não forneceu pistas sobre os próximos passos para a reunião de dezembro, que será a última de 2026. O colegiado reforçou que manterá a restrição monetária adequada e que o momento atual exige serenidade e cautela. A ata detalhando os debates desta reunião será divulgada no dia 10 de novembro.






