Um agricultor de 37 anos sofreu lesões permanentes no rosto e precisou passar por cirurgias após ser agredido em Itapipoca, na região norte do Ceará. O caso ocorreu no dia 11 de agosto, após uma discussão relacionada ao direito de passe-livre em vans que operam entre municípios da região. A Polícia Civil investiga o crime de lesão corporal e informou que um suspeito já foi identificado pelas autoridades policiais.

A motivação para o conflito começou dias antes, quando o companheiro do agricultor, um jovem de 20 anos diagnosticado com Síndrome de Tourette, foi impedido de utilizar a gratuidade no transporte complementar. O casal relatou constrangimentos e episódios de discriminação por parte de funcionários da cooperativa responsável pelo serviço. Diante da situação, o agricultor foi até a sede da empresa para representar o companheiro em uma reunião com a direção.

Após uma discussão com o presidente da cooperativa durante o encontro, o agricultor foi surpreendido e atacado na saída do local por um homem identificado nos registros policiais. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da abordagem e o instante em que o celular da vítima foi arremessado ao chão e destruído. O agressor teria ligações comerciais com um motorista da empresa de transporte.

As agressões causaram fraturas graves na mandíbula da vítima, além da perda de dentes e o rompimento de um nervo importante na face. O agricultor foi transferido para Fortaleza em uma ambulância da prefeitura e submetido a procedimentos cirúrgicos para a colocação de placas metálicas e pinos. Desde então, ele enfrenta dificuldades para se alimentar e relata sequelas definitivas na mastigação e dormência permanente no maxilar e no queixo.

A defesa do agricultor ajuizou uma ação na Justiça com pedidos de indenização por danos materiais, morais e físicos, além de responsabilizar a cooperativa de transporte pelo ocorrido. Em decisão recente emitida no início de outubro, a Justiça determinou que a empresa fique responsável pelo custeio de medicamentos, transporte para atendimento médico fora do domicílio, consultas odontológicas e exames específicos vinculados ao tratamento das lesões decorrentes da agressão.

A Delegacia de Itapipoca segue com as investigações em andamento para esclarecer todos os detalhes da ocorrência e responsabilizar os envolvidos. Até o fechamento desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso pela polícia, e os representantes legais da cooperativa de vans não haviam retornado aos contatos da reportagem para prestar esclarecimentos.