Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas para escolher os novos integrantes do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. O pleito ocorre em um momento de desgaste político do presidente republicano, com insatisfação popular concentrada no custo de vida e na economia.
Embora Trump não esteja concorrendo à Presidência, o resultado terá consequências diretas para a segunda metade de seu mandato, que termina em janeiro de 2029. Uma mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos do governo, ampliar a fiscalização sobre as decisões do Executivo e limitar a capacidade de articulação política do presidente. Os parlamentares eleitos tomarão posse em janeiro de 2027, quando começa a legislatura do 120º Congresso.
As midterms são realizadas a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial norte-americano, com eleições legislativas a cada dois anos. Na Câmara, os 435 deputados têm mandatos de dois anos e representam distritos eleitorais distribuídos pelos 50 estados. Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras. O Senado tem 100 integrantes, sendo dois representantes por estado, com mandatos de seis anos e renovação escalonada.
O sistema eleitoral dos Estados Unidos é descentralizado, pois o país não conta com um órgão eleitoral nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral. Cada estado organiza e contabiliza os próprios votos, seguindo regras locais que incluem a votação antecipada e pelo correio. A popularidade de Trump chega fragilizada ao pleito, refletida em levantamentos recentes que apontam alta desaprovação à administração republicana.
A política comercial do presidente também se tornou um ponto de desgaste após a ampliação de tarifas sobre produtos importados para proteger a indústria doméstica. As medidas provocaram reações de parceiros comerciais, críticas empresariais e questionamentos judiciais, além de alimentarem o debate sobre o impacto nos preços. A insatisfação econômica ainda se soma à alta dos combustíveis e aos reflexos do conflito envolvendo o Irã.
Os democratas têm vantagem na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos mantêm uma maioria apertada de 218 cadeiras contra 214 da oposição. Pesquisas indicam preferência de eleitores por candidatos democratas, embora o resultado dependa de disputas acirradas em distritos estratégicos. A disputa pelo Senado é mais desafiadora para a oposição, que precisa conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria diante dos 53 assentos republicanos atuais.
O processo eleitoral também envolveu o redesenho de distritos eleitorais em estados como Texas e Califórnia para favorecer republicanos ou democratas. Uma eventual vitória democrata na Câmara pode comprometer a aprovação de novas medidas e ampliar comissões de fiscalização sobre o governo. No Senado, uma mudança de maioria dificultaria a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadores e integrantes do Judiciário federal.






