O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado que o governo norte-americano não participou diretamente dos preparativos para a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Atlanta, nos Estados Unidos, no contexto de um encontro de ministros das Relações Exteriores do G20.

Segundo o secretário, Washington não esteve envolvido nos arranjos feitos pelo parlamentar para deixar o território brasileiro. Ele esclareceu que a única decisão adotada pelo presidente Donald Trump foi autorizar a entrada de Flávio nos Estados Unidos caso o senador chegasse a um ponto de imigração do país.

A manifestação de Rubio ocorreu após a divulgação de uma reportagem do jornal argentino Clarín, que apontou uma suposta operação envolvendo agentes norte-americanos para auxiliar na saída do senador e de sua família do Brasil. O relato mencionava o uso de veículos e de ao menos três jatos particulares para viabilizar a saída do parlamentar, derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva, além de rotas alternativas.

Apesar das menções na imprensa internacional à suposta mobilização de agentes, o secretário de Estado negou veementemente que o governo dos Estados Unidos tenha tomado parte direta na operação de deslocamento.

Flávio deixou o Brasil na terça-feira, contrariando uma determinação judicial expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibia o senador de viajar para o exterior. O parlamentar cruzou a fronteira terrestre com a Argentina por Foz do Iguaçu e embarcou em uma aeronave particular em Puerto Iguazú.

Após realizar uma escala em Guayaquil, no Equador, o senador desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira. Ele utilizou um passaporte diplomático brasileiro para ingressar em território norte-americano, embora o documento já tivesse sido cancelado por ordem da Suprema Corte. O político também possui cidadania e passaporte italiano.

Em nota oficial emitida sobre o caso, a Polícia Federal informou que não localizou nenhum registro de saída de Flávio pelos postos oficiais brasileiros de controle migratório. A corporação segue apurando as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial, mas ressaltou que a proibição de viagem, por si só, não configura a condição formal de foragido.