O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acusar o sistema eleitoral e a citar o Brasil ao comentar disputas políticas durante um comício realizado no Texas nesta terça-feira (27/10). Na ocasião, o republicano fez referência ao pleito presidencial brasileiro vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de fazer críticas a outros países ao abordar a lisura dos processos de votação.

Durante o evento político, Trump declarou que os franceses são os maiores trapaceiros eleitorais da história e, na sequência, mencionou a situação do Brasil. O presidente norte-americano afirmou que a disputa brasileira não pareceu correta e ressaltou que, embora não tenha tomado partido na contenda, a condução do processo gerou dúvidas.

A manifestação ocorreu um dia depois de Trump já ter questionado publicamente a legitimidade da eleição brasileira. Na segunda-feira (26/10), o líder norte-americano afirmou que o resultado da disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pareceu mais uma eleição fraudulenta e transmitiu uma imagem negativa para o cenário internacional.

Apesar das críticas recentes ao pleito, Trump ponderou na ocasião anterior que gosta de Lula e que mantém uma boa relação com o presidente brasileiro. As declarações marcam uma alteração em relação aos posicionamentos adotados pelo republicano antes do primeiro turno da votação no Brasil, quando ele elogiou o país e classificou o pleito como relevante.

As novas declarações sobre fraudes eleitorais acontecem a poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms e marcadas para 3 de novembro. O pleito americano renovará todas as cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 governos estaduais, em um cenário em que pesquisas de intenção de voto apontam o risco de o Partido Republicano perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso.

Questionado sobre a aceitação do resultado das eleições legislativas, Trump afirmou nesta terça-feira que respeitará o pleito, mas condicionou o compromisso à honestidade da votação. As falas do presidente norte-americano coincidem com a confirmação, pelo governo dos Estados Unidos, de que o Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares entrarem no país.

O deslocamento do senador brasileiro ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal em até 24 horas e não deixasse o território nacional. Como o prazo não foi cumprido, a Polícia Federal cancelou os documentos na terça-feira, embora ele não fosse considerado foragido por falta de mandado de prisão.

Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz, enquanto a defesa do parlamentar nega a existência de irregularidades.