A redução da abstenção e dos votos brancos e nulos marcou o segundo turno da eleição presidencial de 2026 e se tornou um dos fatores importantes para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. Com a apuração em 96,77% das urnas, o número de votos válidos chegava a 123,9 milhões, enquanto os brancos representavam 1,12% e os nulos, 2,12% do total. A abstenção registrada foi de 19,19% do eleitorado.

Os índices de abstenção do segundo turno também apresentavam queda em relação ao primeiro, quando mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar, o equivalente a 21,08%. A diminuição da chamada alienação eleitoral era um dos objetivos da campanha petista desde a virada na disputa presidencial, com a avaliação de que mobilizar eleitores ausentes seria determinante em uma eleição marcada pelo equilíbrio.

No primeiro turno, a abstenção havia atingido o maior percentual para essa etapa eleitoral desde 1998, alimentando discussões sobre o impacto da ausência dos eleitores no resultado. A queda do índice no segundo turno representou um sinal de maior mobilização do eleitorado na etapa decisiva da disputa.

São Paulo esteve no centro das preocupações das campanhas diante do cenário de grande número de ausências registrado na primeira etapa. No primeiro turno, o estado teve 7,69 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 22,54% do eleitorado, enquanto a capital paulista registrou mais de 2,1 milhões de pessoas sem votar.

A mobilização dos eleitores paulistas ganhou peso na reta final da campanha em meio a questionamentos sobre a oferta de transporte público no dia da votação. O PT criticou a circulação de ônibus na capital e afirmou que apenas 60% da frota prevista estava em operação, apesar de uma decisão judicial que determinava a disponibilização integral dos veículos de dias úteis.

A SPTrans alegou dificuldades operacionais para reorganizar a frota após ser notificada da decisão na véspera da eleição. Um levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento apontou que a redução da frota atingiu com mais força regiões periféricas da capital.

Entre os distritos com maiores quedas na circulação de ônibus perto dos locais de votação estavam Vila Curuçá e São Miguel, na Zona Leste, além de Grajaú, Jardim Ângela e Parelheiros, na Zona Sul. O estudo, porém, media a circulação de veículos e não permitia concluir isoladamente que a redução tenha provocado menor comparecimento.

A campanha de Flávio Bolsonaro pediu a extensão do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, sob a justificativa de que chuvas intensas, alagamentos e bloqueios de vias dificultavam o deslocamento. O Tribunal Superior Eleitoral estendeu o prazo para votação em âmbito nacional após pedidos das duas campanhas.