A divulgação dos resultados das eleições de 2026 trouxe novamente ao debate público o funcionamento do sistema proporcional para a escolha de deputados federais e estaduais. Uma dúvida frequente entre os eleitores diz respeito ao motivo pelo qual determinados candidatos conseguem conquistar o mandato com menos votos do que outros que acabam ficando de fora da nova legislatura. A resposta para essa dinâmica está nas regras do quociente eleitoral, mecanismo que define a ocupação das cadeiras nos parlamentos.

O cálculo que determina o quociente eleitoral é extraído da divisão entre o número total de votos válidos e a quantidade de vagas disponíveis na bancada em disputa. Conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o pleito registrou 5.521.642 votos válidos no estado. Com 22 cadeiras em jogo na bancada do Ceará para a Câmara dos Federais, o quociente eleitoral fixado para o pleito de 2026 foi de 251.000 votos por vaga.

Esse cenário de cálculo partidário teve reflexos diretos na distribuição das vagas conquistadas pelos partidos e federações. A votação expressiva do candidato André Fernandes, que somou 684.372 votos pelo Partido Liberal, garantiu à legenda o direito de preencher mais duas vagas na bancada cearense. Com isso, o partido assegurou a reeleição de Dr. Jaziel, que obteve 57.192 votos, e a eleição para o primeiro mandato de Carmelo Neto, que registrou 56.068 votos.

Por outro lado, o sistema proporcional resultou em situações em que candidatos com votações expressivas individuais não obtiveram êxito devido ao desempenho geral de suas respectivas legendas. Quatro parlamentares federais, identificados como Luiz Gastão, Mauro Filho, Eduardo Bismarck e José Airton, receberam mais votos do que candidatos vitoriosos como Jaziel e Carmelo, mas acabaram ficando de fora da nova composição da Câmara dos Deputados.

Um exemplo citado nos dados do TSE envolve o candidato Gastão, filiado ao Partido Social Democrático, que obteve 108.924 votos e terminou na quarta colocação da legenda, ficando fora da nominata que reelegeu Domingos Neto, Célio Studart e Fernanda Pessoa. Da mesma forma, o deputado Mauro Filho somou 90.150 votos pelo Partido Progressista e também não conseguiu renovar o mandato no parlamento federal.

Situação semelhante ocorreu na Federação União Progressista, que reelegeu Moses Rodrigues, Danilo Forte e AJ Albuquerque, deixando sem vaga o candidato José Airton Cirilo, que alcançou 70.187 votos pelo Partido dos Trabalhadores. Pela mesma legenda partidária, foram eleitos Fernando Santana, Raimundo Martins e Luisa Cela, evidenciando como a soma de votos da sigla é determinante para a ocupação final das cadeiras.