Estimativa preliminar divulgada pelo Ministério da Saúde indica que a incorporação das chamadas canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde deve custar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. A pasta afirma que as compras em larga escala realizadas junto aos fabricantes podem reduzir o preço de aquisição dos medicamentos entre 80% e 90%. O anúncio foi feito pelo governo federal após medidas voltadas para ampliar o acesso a esses tratamentos no país.

Os descontos previstos pelo ministério referem-se aos produtos que serão adquiridos para distribuição gratuita. A iniciativa segue uma medida divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a queda nos valores tem relação direta com ações adotadas pela pasta e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no ano anterior.

Ambos os órgãos estimularam a entrada de novos fabricantes no mercado nacional. Dados oficiais apontam que, somente em 2026, 16 novos produtos, entre genéricos e similares, receberam registro no país. Com a maior variedade de opções, a concorrência aumentou e a tendência de preço passou a apontar para baixo.

Padilha destacou que o ministério barrou tentativas de prorrogação de patentes, viabilizou a produção nacional e chamou novos fabricantes para registrar produtos no Brasil. O objetivo foi ampliar o acesso aos tratamentos para além de uma parcela específica da população. O número de usuários de agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil passou de cerca de 400 mil para mais de 750 mil por mês.

O avanço na concorrência do mercado farmacêutico já provocou queda de 70% no preço de aquisição em farmácias particulares. Com a escala de compras do SUS e a produção local, o governo projeta alcançar a redução de até 90% no valor dos itens. A projeção financeira estipula o custo anual de R$ 1,5 bilhão para trazer os produtos e integrá-los à rede pública.

No entanto, os medicamentos ainda não estão disponíveis gratuitamente na rede pública. O governo formalizou recentemente um pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde para avaliar a inclusão dos itens. Assim que houver aprovação oficial, a distribuição será destinada exclusivamente a pacientes diagnosticados com obesidade que possuam indicação médica para o tratamento.