O Ministério Público do Ceará deflagrou a terceira fase da Operação Closed Faucet, que investiga supostas irregularidades em licitações e contratos de obras públicas firmados com o Município de Sobral. A nova etapa da investigação tem como alvos agentes públicos e particulares. Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis locais ligados à estrutura municipal.

Os agentes recolheram documentos e aparelhos eletrônicos na sede da Prefeitura, na Procuradoria Geral do Município e nas secretarias da Infraestrutura, da Educação, das Finanças e de Planejamento e Gestão. Segundo o Ministério Público, as apurações concentram-se em contratos firmados entre 2018 e 2022, sendo que alguns deles possuem vigência estendida até 2026.

O procurador-geral do Município, Hozanan Linhares Gomes, comentou a diligência durante entrevista coletiva concedida sobre o caso. Ele afirmou que as supostas irregularidades teriam ocorrido até 2024, período anterior à atual gestão municipal. Conforme o representante da administração, as movimentações consideradas suspeitas envolveriam um montante de aproximadamente R$ 44 milhões.

De acordo com o órgão ministerial, a investigação apura indícios de diversos delitos, incluindo organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva e ativa. A lista de crimes sob apuração também abrange falsidade ideológica, fraude em licitações e contratos, além de infrações contra a ordem tributária.

A operação teve como objetivo principal a apreensão de processos licitatórios, contratos, aditivos, medições de obras e registros de pagamentos. O material recolhido engloba tanto documentos físicos quanto mídias digitais vinculados a uma construtora que é alvo das investigações.

Os mandados judiciais foram expedidos pela 2ª Vara Cível da Comarca de Sobral e o caso tramita sob segredo de Justiça. A execução da medida contou com a atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas Norte, além de apoio de policiais do setor de inteligência, promotores de Justiça e agentes da Polícia Civil.

O termo Closed Faucet, adotado para batizar a operação e que significa torneira fechada, faz referência direta à interrupção das movimentações financeiras apontadas como irregulares no âmbito das investigações conduzidas pelo Ministério Público.