O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro apresentou nesta quarta-feira (23) o projeto SOS Brasil, que prevê a utilização de recursos do Tesouro para a compra de dívidas de pessoas físicas junto aos bancos. A proposta tem como objetivo principal reduzir o endividamento das famílias brasileiras e o tamanho da dívida bruta do governo.
Para bancar a criação do fundo especial voltado a essa finalidade, o candidato afirmou que pretende recorrer a novas fontes de arrecadação. Entre as alternativas citadas estão a exploração das receitas de imóveis da União, a redistribuição dos royalties de petróleo e a securitização das dívidas da União.
De acordo com o plano apresentado, após realizar a negociação com as instituições financeiras, o Estado fará um novo acordo de pagamento diretamente com os inadimplentes. O modelo prevê a aplicação de juros abaixo daqueles praticados atualmente pelo mercado.
O programa também estabelece prazos diferenciados de carência para o início dos pagamentos renegociados. O texto prevê a concessão de seis meses de carência para as pessoas físicas e de doze meses para os microempreendimentos.
A iniciativa foi apresentada como uma alternativa ao programa Desenrola, implementado pelo governo federal. Diferente da proposta atual, em que o Estado atua como intermediário nas negociações e concedendo facilidades regulatórias e garantias de crédito, a nova ideia envolve a compra direta dos débitos.
O lançamento ocorre em um momento em que o candidato tem sido cobrado a demonstrar propostas concretas para melhorar a situação econômica do país. Na reta final antes do primeiro turno, o tema econômico tem sido utilizado como principal eixo estratégico na disputa contra o presidente Lula.
Especialistas apontam que a proposta vai na contramão da perspectiva liberal defendida pela equipe econômica do candidato do PL. O programa propõe um aumento da intervenção estatal e da responsabilidade fiscal do governo na economia.
O candidato encerrou a apresentação do novo programa reforçando o tom social da medida. Segundo ele, a proposta busca demonstrar proximidade com a população endividada durante o período de campanha eleitoral.






