A candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná enfrenta impasses jurídicos que podem gerar questionamentos pós-eleitorais, conforme avaliação de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral nos bastidores. Mais de setenta por cento das urnas eletrônicas destinadas ao pleito no estado já possuem os dados dos candidatos inseridos no sistema. Dessa forma, mesmo com a suspensão recente da campanha, o nome do ex-procurador aparece como opção para os eleitores na prática.
A situação gera preocupação na Corte eleitoral porque o nome dele estará disponível para votação em grande parte dos equipamentos. Integrantes do TSE apontam que, caso a candidatura seja indeferida definitivamente, o cenário poderá resultar em questionamentos judiciais capazes de obrigar a realização de uma nova eleição no estado.
No último sábado, o ministro Floriano de Azevedo Marques determinou a suspensão da campanha de Dallagnol ao Senado por meio de uma decisão liminar. Na segunda-feira seguinte, em deliberação mantida sob sigilo, a maioria do colegiado do TSE decidiu pela manutenção da medida restritiva.
Votaram pela manutenção da suspensão os ministros Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Sebastião Reis. Por outro lado, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, e o ministro André Mendonça foram os únicos que votaram de forma contrária.
Nesta quarta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná deve julgar um recurso apresentado pelo Partido dos Trabalhadores contra a decisão da corte regional que havia autorizado a candidatura. Ministros do TSE avaliam que, mesmo com eventual definição favorável do TRE paranaense, ainda caberá ao tribunal superior deliberar sobre o mérito da questão.
Independentemente dos desdobramentos imediatos, autoridades da Justiça Eleitoral reforçam que a presença do candidato nas urnas poderá motivar contestações jurídicas mesmo após a realização do pleito, devido à falta de um aval definitivo para a disputa.






