O crescimento da preocupação com os casos de acidente vascular cerebral entre pessoas jovens acende um alerta para homens e mulheres no Brasil. Embora a doença seja mais frequente entre idosos, estudos mostram que o AVC também atinge adultos com menos de 50 anos e pode provocar sequelas graves ou levar à perda da vida. Uma revisão internacional identificou que, entre mulheres de até 35 anos, a incidência de AVC isquêmico foi 44% maior do que entre homens da mesma faixa etária. Os dados reforçam a importância da prevenção e do reconhecimento dos primeiros sintomas.
O alerta ganha destaque por ocasião do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, data dedicada à conscientização sobre os fatores de risco, a prevenção e a necessidade de atendimento rápido às vítimas. Segundo uma revisão internacional, são registrados, anualmente, cerca de 49 novos casos de AVC para cada 100 mil homens e 40 casos para cada 100 mil mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos. No entanto, quando a análise se concentra especificamente no AVC isquêmico em pessoas de até 35 anos, outra revisão de estudos aponta uma incidência 44% maior entre as mulheres. Os levantamentos analisam populações e recortes diferentes e, portanto, não são contraditórios.
O neurocirurgião Orlando Maia explica que o risco de AVC não pode ser avaliado apenas pela idade ou pelo sexo. O especialista ressalta que não se deve considerar a mulher jovem protegida nem minimizar sintomas em nenhum dos sexos, pois não é correto afirmar que um dos sexos seja, de forma geral, geneticamente mais predisposto ao problema. Entre os fatores que exigem atenção especial nas mulheres estão a gravidez, o período pós-parto e as complicações relacionadas à pressão arterial elevada.
O uso de anticoncepcionais que contêm estrogênio também deve ser avaliado individualmente, principalmente quando associado ao tabagismo ou à enxaqueca com aura. Segundo Orlando Maia, essas condições podem elevar o risco de AVC, mas não significam que todas as mulheres jovens tenham predisposição à doença. O acidente vascular cerebral ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para determinada região do cérebro ou rompimento de um vaso sanguíneo.
O AVC isquêmico, responsável pela maioria dos casos, acontece quando uma artéria cerebral é obstruída por um coágulo, impedindo a passagem adequada do sangue. Já o AVC hemorrágico ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento no cérebro ou nas estruturas ao redor. Os dois tipos representam emergências médicas e exigem atendimento imediato, sendo o diagnóstico correto fundamental porque os tratamentos são diferentes.
Outro alerta do especialista envolve o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e hormônios comercializados para fins estéticos, incluindo produtos associados ao chamado chip da beleza. Conforme o neurocirurgião, essas substâncias, quando utilizadas sem indicação e acompanhamento médico, podem aumentar os riscos cardiovasculares e neurológicos entre adultos jovens. A prevenção também exige controle da pressão arterial, tratamento do diabetes, abandono do cigarro, atividade física regular e acompanhamento médico.
Os sintomas geralmente aparecem de maneira repentina e não devem ser ignorados pelas pessoas. Entre os principais sinais de alerta estão fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo, boca torta ou alteração súbita da expressão facial, além de dificuldade para falar ou compreender palavras. Também merecem atenção a perda repentina da visão, tontura intensa, perda de equilíbrio ou dificuldade para caminhar e dor de cabeça súbita e muito intensa associada a sintomas neurológicos.
Di diante de qualquer suspeita de AVC, a orientação principal é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 e informar claramente os sintomas apresentados. O atendimento rápido pode salvar vidas e reduzir significativamente as sequelas decorrentes da emergência médica.






