A bancada cearense na Câmara dos Deputados registra apenas duas reeleições femininas em toda a sua história, o que representa um índice de 6,6% das reeleições para o cargo desde 1986. Na legislatura atual, o estado conta com três mulheres na composição titular, marcando o mandato com maior presença feminina na Casa, embora o número de parlamentares efetivadas por meio das urnas permaneça restrito ao longo de quatro décadas. O levantamento foi realizado pelo portal PontoPoder com base no histórico político estadual.

Desde que a primeira cearense assumiu uma cadeira no Legislativo Federal, apenas sete deputadas federais exerceram mandatos efetivos decorrentes do quociente eleitoral. Outras quatro parlamentares chegaram a ocupar a função na condição de suplentes ao longo do período, totalizando 11 mulheres que passaram pela Câmara em 40 anos. Enquanto dezenas de deputados homens acumulam múltiplos mandatos consecutivos, Gorete Pereira e Luizianne Lins figuram como as únicas representantes do estado a conquistarem reeleições para o cargo, cada uma com três mandatos efetivos.

A doutoranda em Ciência Política pela Universidade de Brasília, Brenda Barreto, aponta que o acúmulo de capital político favorece as reeleições, fator que encontra maiores barreiras em candidaturas femininas. A especialista também destaca o impacto da violência política de gênero como um elemento que gera desgaste e desestímulo, afetando a permanência das mulheres na carreira pública. Para as especialistas consultadas, a disparidade numérica também reflete a quantidade reduzida de cadeiras na bancada federal do Ceará, fixada em 22 vagas.

A primeira eleição de uma representante cearense para a Câmara ocorreu em 1986, com Moema São Thiago, que se tornou a segunda mais votada no pleito com propostas voltadas aos direitos da mulher. O episódio é considerado tardio por pesquisadoras da área, que classificam o espaço político como historicamente masculinizado. A cientista política Cleris Albuquerque observa que a menor quantidade de vagas em disputa no âmbito federal dificulta o ingresso de grupos com menor presença tradicional nas candidaturas competitivas.

Para o pleito de 2026, o cenário registra o lançamento de 105 mulheres cearenses na disputa por vagas de deputada federal, representando 38,46% das candidaturas distribuídas em 25 partidos. Contudo, especialistas avaliam que grande parte das siglas cadastrou apenas o mínimo exigido pela legislação eleitoral, além de apontarem a presença expressiva de candidaturas ligadas a famílias políticas, projetando um quantitativo de eleitas ainda considerado modesto para a próxima legislatura.