Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis, aos 56 anos
A escritora e cineasta ficou mundialmente conhecida por sua obra autobiográfica e críticas ao regime iraniano.
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A renomada escritora e cineasta Marjane Satrapi faleceu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. A notícia foi confirmada por familiares à Agence France-Presse (AFP).
Nascida no Irã em 1969, Satrapi ganhou reconhecimento internacional por sua obra "Persépolis", que narra sua infância e juventude em meio à Revolução Islâmica e suas consequências. "Persépolis" transcendeu as páginas e se tornou um filme aclamado, recebendo o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e uma indicação ao Oscar de Melhor Longa de Animação.
A obra autobiográfica foi traduzida para mais de cem idiomas, sendo considerada um dos melhores livros do século 21 pelo The New York Times. A artista também explorou outras narrativas em seus trabalhos.
"Bordados" (2010) aborda temas como sexo, casamento e a vida feminina no Irã, sob a perspectiva das mulheres que se reúnem para bordar. A obra utiliza a metáfora do bordado, que no Irã também se refere à cirurgia de reconstituição do hímen.
Mais recentemente, em "Mulher, vida, liberdade" (2024), Satrapi abordou os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, em 2022. O livro reúne depoimentos de artistas e especialistas sobre os eventos, destacando a censura vivenciada no país e o lema "mulher, vida, liberdade".
Outras obras notáveis da autora incluem "Persépolis" (Quadrinhos na Cia, 2007). O legado de Marjane Satrapi contribui significativamente para a compreensão das experiências femininas e das complexidades sociopolíticas do Irã.