Um homem apontado como integrante da facção criminosa Comando Vermelho no Ceará foi condenado pelo Tribunal do Júri a 29 anos, 8 meses e 5 dias de reclusão pelo assassinato de outro membro do mesmo grupo criminoso. A sentença foi proferida pela 6ª Vara do Júri, especializada em julgar delitos cometidos no contexto de organizações criminosas, após votação do Conselho de Sentença. A decisão foi publicada no Diário da Justiça.

O réu identificado como Eli Johnson do Nascimento Sousa atuou como executor e foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa armada. Os jurados reconheceram qualificadoras como motivo torpe, emprego de recurso que impossibilitou a defesa e uso de armamento de uso restrito ou proibido. A vítima, Antônio Alves Sabóia, conhecido como 'Hungria', foi atingida por disparos de arma de fogo em uma emboscada registrada em maio de 2025, no bairro Henrique Jorge, em Fortaleza.

Conforme os documentos judiciais, o crime ocorreu na noite de 16 de maio de 2025, por volta das 22h40, na Rua Santa Filomena. O inquérito apontou que a vítima foi atraída ao local sob o pretexto de tratar de uma dívida e da negociação de uma arma de fogo. Ao desembarcar do veículo, 'Hungria' foi surpreendido pelos atiradores e, mesmo tentando correr em direção a um beco, acabou sendo alcançado e atingido por doze ferimentos provocados pelos disparos.

A motivação estaria ligada a disputas internas na facção e à suspeita de que a vítima estaria repassando informações de atividades ilícitas para as forças de segurança. A denúncia do Ministério Público também indicou divergências decorrentes da perda de drogas, o que levou os envolvidos a planejar a execução para evitar pagamentos e reestruturar a hierarquia criminosa local.

Na dosimetria da pena, o colegiado de juízes destacou a violência empregada, a quantidade de tiros efetuados e o fato de a vítima ter deixado duas filhas menores de idade. A punição foi agravada pela reincidência do réu, que já possuía condenação criminal definitiva e cumpria pena quando cometeu o novo delito. A Justiça manteve a prisão preventiva do condenado.

O processo também envolveu apuração sobre lideranças apontadas no alto escalão do grupo. Augusto César Moreira da Conceição, conhecido como 'Coroa' e apontado como gestor territorial do Comando Vermelho, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público por supostamente ter autorizado o homicídio. No entanto, ele e outro comparsa foram impronunciados em relação a essa morte específica, embora continuem respondendo judicialmente pelo crime de organização criminosa.