Uma complexa engenharia de lavagem de dinheiro, que utilizava estabelecimentos de fachada para ocultar recursos bilionários provenientes de apostas ilegais, foi desarticulada nesta quinta-feira (5/11) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A Operação Azzardo revelou que o esquema operava por meio de sites de apostas de quota fixa não autorizados, utilizando cadastros de empresas variadas, como casas de tarô e clínicas de assistência psicossocial, para movimentar o capital ilícito.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), apontaram que os valores pagos pelos apostadores via Pix não eram destinados a empresas de jogos, mas sim direcionados a um ecossistema de pessoas jurídicas abertas em nome de laranjas. A operação mobilizou cerca de 200 policiais para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros cinco estados, incluindo o Ceará, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Norte.
O rastreio financeiro, realizado em conjunto com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, identificou que os recursos desaguavam em endereços registrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. No entanto, as equipes policiais constataram que os locais eram imóveis vazios ou estabelecimentos sem qualquer relação com o setor de tecnologia. Em um único lote em Ceilândia, foi descoberto que 10 empresas de fachada compartilhavam o mesmo telefone corporativo.
A engrenagem do esquema contava com o suporte de uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central, por onde circularam cerca de R$ 1 bilhão. Para dificultar o rastreio, os valores passavam por um constante rodízio de procuradores e eram convertidos em criptoativos. As empresas envolvidas foram criadas em massa entre fevereiro e julho de 2026, apresentando capitais sociais idênticos.
O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou medidas severas para sufocar a organização, incluindo o bloqueio de bens e valores de até R$ 3,483 bilhões. Além disso, foi decretada a suspensão de 100 empresas de fachada, a quebra de sigilos bancários e fiscais de 165 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e a proibição de abertura de novas contas bancárias por 90 dias, além do sequestro de veículos de alto padrão.
Segundo a PCDF, os investigados tentaram mascarar a ilicitude utilizando falsas vinculações a loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro. Nenhuma das plataformas investigadas possuía a outorga federal obrigatória exigida pela legislação vigente. Os envolvidos responderão por crimes organizados, com penas que, somadas, podem atingir 33 anos de reclusão, enquanto o material apreendido passará por perícia para identificar os reais controladores do esquema.






