Os registros de importunação sexual em Fortaleza registraram um aumento superior a 100% no período de janeiro a setembro de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará indicam que a Capital contabilizou 204 ocorrências do tipo, dentro de um total de 436 registros em todo o Estado. O crescimento acende o debate sobre a responsabilidade na proteção das mulheres e a efetividade das medidas de segurança nos espaços de lazer.
O levantamento oficial aponta que a alta expressiva nos números ocorre apesar da subnotificação histórica que marca esse tipo de crime. Além disso, as ocorrências registradas de madrugada em espaços de lazer da cidade, especificamente entre meia-noite e 5h59, saltaram de oito casos nos primeiros nove meses de 2025 para 27 no mesmo período de 2026. A maioria esmagadora das vítimas em ambientes públicos e de lazer é formada por mulheres adultas.
Para a titular da Secretaria da Mulher de Fortaleza, Fátima Bandeira, o descrédito das vítimas em relação à aplicação da lei e ao suporte pós-denúncia contribui diretamente para a baixa adesão aos registros oficiais. A secretária aponta que muitas mulheres se sentem expostas e acabam fragilizadas, o que reforça a necessidade de políticas públicas permanentes de sensibilização e acolhimento em parceria com os estabelecimentos comerciais.
Diante desse cenário, o Ministério Público do Ceará intensificou ações por meio do Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher, promovendo a campanha Eu Respeito o Não. A iniciativa busca sensibilizar donos e gestores de bares, restaurantes e casas de show sobre a responsabilidade de garantir um ambiente seguro, além de capacitar funcionários para o acolhimento imediato e o acionamento da rede de proteção.
Trabalhadoras do setor de entretenimento que passaram pelas capacitações relatam mudanças na postura e maior preparo para identificar sinais de incômodo e atuar na prevenção de abusos. Em paralelo, frequentadoras de estabelecimentos na Praia de Iracema relatam os cuidados cotidianos preventivos adotados ao sair à noite e reforçam que a negativa expressa pelas mulheres ainda enfrenta resistência e falta de compreensão em diversos ambientes sociais.
As denúncias de importunação sexual, assédio e outras formas de violência podem ser encaminhadas pelos canais de emergência, como o 190 da Polícia Militar e o 180 da Central de Atendimento à Mulher. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social também disponibiliza o Disque-Denúncia 181, enquanto o atendimento especializado da Polícia Civil ocorre na Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e na unidade do Papicu.






