Uma disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro pelo controle de negócios ilegais que movimentariam cerca de R$ 2 milhões por mês tem provocado uma onda de violência em Volta Redonda, no Sul Fluminense. A sequência de confrontos na Vila Brasília, um complexo de oito comunidades que abriga mais de 20 mil moradores, deixou quatro mortos e veículos incendiados na última semana.

Na madrugada de domingo, novos tiroteios foram registrados na comunidade Belo Horizonte, uma das que integram o complexo, atingindo inclusive a janela de uma residência. Diante da escalada da violência, a prefeitura recorreu ao apoio de um helicóptero da Polícia Militar e ao reforço do Batalhão de Operações Policiais Especiais para conter os ataques.

No último dia 25, foi anunciada a ocupação permanente da área com a presença de 40 policiais militares, após criminosos saírem do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para se unir a aliados locais. O objetivo do grupo era assumir pontos de venda de drogas controlados pelo Terceiro Comando Puro na Vila Brasília, cuja localização estratégica com rotas terrestres atrai o interesse do tráfico.

A Corregedoria da Polícia Militar e a 93ª Delegacia de Polícia investigam se a tentativa de invasão teve o apoio de agentes do 28º Batalhão da Polícia Militar. Na última sexta-feira, foram cumpridos doze mandados de busca e apreensão em endereços de seis policiais, que tiveram celulares e computadores apreendidos, além de serem afastados das ruas e transferidos de unidade. O número de investigados pode chegar a dez.

Imagens de câmeras de monitoramento da prefeitura registraram que, na madrugada do dia 25, duas viaturas da Polícia Militar trafegavam metros à frente de um comboio de sete carros com suspeitos. O grupo, estimado em 35 homens, partiu do Morro da Conquista em direção à Vila Brasília. A situação e as suspeitas de facilitação resultaram na exoneração da comandante do 28º BPM, a tenente-coronel Amanda Neves, substituída pelo tenente-coronel Décio Takamine, além da troca do capitão responsável pela área.

Apesar do intenso tiroteio do último domingo entre traficantes e policiais militares acionados para a comunidade Belo Horizonte, a corporação informou que não houve novos feridos e que conseguiu impedir a invasão do reduto rival, realizando buscas nas áreas de mata. Moradores registraram em redes sociais marcas de disparos em paredes e vidraças quebradas por tiros.

A insegurança decorrente das investidas criminosas impactou a rotina da região, provocando a suspensão temporária de aulas em escolas e o fechamento do comércio em bairros vizinhos, como o Água Limpa. Testemunhas relataram ter visto dezenas de homens armados com fuzis circulando pelas vias de acesso.

Desde o início dos confrontos e com o envio de reforços para a cidade, as forças de segurança apreenderam um fuzil, cinco pistolas, quatro granadas e dois revólveres, além de efetuarem a prisão de três suspeitos. O prefeito Antônio Francisco Neto afirmou confiar na atuação das autoridades para restabelecer a ordem na região e superar a crise de segurança.