A Polícia Civil de São Paulo informou que irá apurar a conduta do investigador André Dziuba, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como suspeito de favorecer o influenciador Renato Cariani em inquéritos policiais anteriores. A Promotoria pediu a condenação de Cariani, além de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, sob as acusações de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
De acordo com as alegações finais apresentadas pelo Ministério Público, o policial civil e o influenciador trocavam mensagens por aplicativo e mantinham uma relação de cooperação mútua que ultrapassava o âmbito profissional. O documento do MPSP aponta que a proximidade era evidenciada por solicitações pessoais feitas pelo agente ao empresário, incluindo pedidos de suplementos para o tratamento de seu joelho. Em contrapartida, André recorria a Renato para obter auxílio ou informações sobre fiscalizações realizadas no setor de suplementos.
A acusação aponta ainda que o investigador compartilhava dados sobre fiscalizações com o influenciador e teria atuado para esvaziar e viabilizar o arquivamento de um inquérito anterior conduzido pela 2ª Vara Criminal de Diadema contra Cariani. O Metrópoles não conseguiu localizar a defesa de Dziuba para um posicionamento, mas o espaço permanece aberto.
Em nota oficial, a corporação informou que os fatos serão rigorosamente apurados por meio da instauração de um procedimento correcional próprio pela Corregedoria Geral. O processo incluirá produção técnica de conhecimento, oitivas, análises e diligências para garantir precisão e legalidade na verificação dos acontecimentos, reafirmando o compromisso com a transparência e a integridade institucional.
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado detalharam que o esquema criminoso teria provocado o desvio de 12 toneladas de insumos químicos para a fabricação de 15 toneladas de entorpecentes, como crack e cocaína. O mecanismo envolvia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas em São Paulo, utilizando laranjas e vítimas para mascarar a operação ilícita.
O Ministério Público apontou que Renato Cariani exercia papel central no esquema como proprietário de uma empresa licenciada, utilizando seus conhecimentos em química para registrar informações falsas no sistema de controle da Polícia Federal. Fábio Spinola Mota utilizava um e-mail falso para se passar por uma grande empresa farmacêutica, enquanto Rodrigo Gomes Pereira auxiliava na aquisição dos produtos controlados.
A movimentação financeira decorrente da atividade ilícita resultou em quase R$ 2,5 milhões depositados em espécie, conforme o MPSP, que identificou 59 transações fraudulentas entre 2014 e 2020. Em nota, a defesa de Renato Cariani afirmou que recebeu o pedido de condenação com naturalidade, destacando que o órgão acusador apenas manteve a tese defendida desde o início do processo.
A defesa acrescentou que apresentará as alegações finais defensivas para responder a cada argumento da acusação e demonstrar a improcedência das acusações com base nas provas da instrução. Os representantes do influenciador declararam confiança em um julgamento justo pelo Poder Judiciário e expressaram convicção de que o processo resultará na absolvição de Cariani.






