A dezesseis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta nova pressão sobre o custo de vida da população. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,82% em setembro, impulsionado principalmente pelos custos de energia elétrica, alimentos e combustíveis. O resultado mensal representou a maior taxa registrada para um mês de setembro em ano de eleição presidencial desde 1994, quando o indicador havia avançado 1,53%.

Considerando o acumulado do ano, o índice soma alta de 3,95% em 2026. No horizonte de doze meses, a inflação atingiu 4,58%, patamar que supera o teto da meta perseguida pelo Banco Central. Analistas do mercado financeiro avaliam que o indicador reflete um cenário de cautela, com riscos contínuos associados a fatores climáticos e choques externos no mercado internacional de petróleo.

O grupo de habitação, transportes e alimentação e bebidas concentrou cerca de 86% da inflação registrada no mês, justamente os setores com maior peso no orçamento das famílias brasileiras. A energia elétrica residencial destacou-se como a principal vilã do período, isoladamente responsável por quase 40% da variação mensal do IPCA ao subir 7,98%.

O encarecimento da energia ocorreu principalmente porque deixou de ser incorporado às faturas o Bônus de Itaipu, que havia reduzido os valores cobrados no mês anterior. Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor durante setembro, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada cem quilowatt-hora consumidos, elevando o custo acumulado da eletricidade residencial para 6,50% no ano.

O setor de alimentação e bebidas também voltou a registrar alta, com variação positiva de 0,83% após três meses consecutivos de recuo. O subgrupo de alimentação dentro de casa subiu 0,96%, impulsionado por aumentos expressivos em itens essenciais como o tomate, a batata-inglesa, a cebola e o arroz, em meio a preocupações com os impactos do fenômeno climático El Niño sobre as safras.

Os combustíveis completaram o trio de pressões inflacionárias de setembro ao avançarem 1,41%, reflexo de altas no etanol, no óleo diesel e na gasolina. O movimento ocorreu apesar de subsídios adotados para conter o repasse das cotações internacionais do petróleo, impactadas pelo prolongamento de conflitos no Oriente Médio, mantendo o cenário econômico em evidência na reta final da disputa eleitoral.