Uma investigação conduzida no Ceará resultou na denúncia de dez pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa estruturada para o comércio ilegal de armas de fogo, extorsão e receptação. De acordo com o Ministério Público do Ceará, o grupo contava com a suposta participação de um policial civil e de um advogado, além de atuar no fornecimento de armamentos para facções criminosas.

O comerciante Paulo Roberto Ribeiro de Melo é apontado pelas autoridades como o líder do esquema e responsável por movimentar recursos obtidos com as atividades ilícitas. A acusação aponta que o grupo operava de forma organizada e com divisão de tarefas bem definida para burlar os órgãos de fiscalização e segurança pública no Estado.

As investigações tiveram início em 2024, após a denúncia de uma suposta vítima que adquiriu uma pistola mas não recebeu o armamento. A partir desse caso, os agentes identificaram que o principal investigado exigia valores elevados pelas armas e estaria envolvido em práticas de lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada.

O esquema utilizava diferentes frentes para ocultar a origem dos recursos, incluindo a simulação de vendas por meio de empresas de familiares, operações com criptomoedas e a prática de agiotagem. A investigação também apontou o uso de contas bancárias de terceiros para movimentar os valores ilícitos.

Entre os denunciados estão o policial civil João Paulo de Carvalho Barbosa e o advogado Miguel Fernandes Pessoa Neto. O Ministério Público afirma que o agente de segurança utilizava a profissão para repassar informações internas da polícia ao grupo, enquanto o profissional do direito atuava na venda de armamentos e na corrupção de servidores.

A Justiça decretou a prisão do policial civil após pedido formulado pelo Ministério Público. A defesa do agente sustentou que a acusação parte de premissa equivocada e que a medida cautelar já foi impugnada pelas vias jurídicas cabíveis.

Outros nomes apontados na denúncia incluem familiares e conhecidos do suposto líder, como a mãe, a esposa e colaboradores encarregados de funções operacionais. As defesas dos demais citados não foram localizadas pela reportagem, permanecendo o espaço aberto para manifestações futuras.