O PDT encerrou as eleições de 2026 mergulhado em uma das maiores derrotas de sua trajetória política recente no Ceará, além de registrar forte enfraquecimento no cenário nacional. O declínio expressivo ficou evidente nos dados consolidados das urnas, marcando uma transição drástica em relação ao pleito anterior realizado em 2022. Com a queda vertiginosa no volume de sufrágios, a legenda perdeu o protagonismo que manteve por décadas no Estado e no país. O cenário adverso coloca a sigla diante de severas restrições institucionais e de profundas incertezas sobre seu futuro político.

Na disputa pelas vagas na Assembleia Legislativa do Ceará, os números demonstram o tamanho do recuo partidário. Em 2022, a legenda havia recebido 1.190.900 votos e conquistado 13 cadeiras no parlamento estadual. Nas eleições de 2026, o total de votos despencou para apenas 10.196, resultado que impediu a eleição de qualquer deputado estadual. Desse modo, o partido ficará completamente sem representação na Casa a partir do ano de 2027.

O revés também se repetiu na corrida por vagas na Câmara dos Federais, onde a perda de espaço seguiu a mesma proporção. Em 2022, os candidatos da legenda somaram 932.593 votos e elegeram cinco parlamentares federais, sendo eles Idilvan Alencar, Robério Monteiro, Mauro Filho, André Figueiredo e Eduardo Bismarck. Já no pleito de 2026, a votação totalizou apenas 154.806 sufrágios no Ceará, quantidade insuficiente para assegurar renovações ou novas cadeiras em Brasília.

Principal liderança da legenda no território cearense, André Figueiredo disputou o cargo de deputado federal pela sétima vez e obteve 94.034 votos. Embora tenha alcançado quase o dobro da votação do último candidato federal efetivamente eleito no pleito, o desempenho individual não foi suficiente para garantir a renovação de seu mandato. No total geral, os postulantes do partido à Câmara Federal não atingiram o quociente necessário para superar a barreira eleitoral no Estado.

No âmbito nacional, o cenário de retração repetiu a tendência verificada no âmbito regional. Conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, a bancada do PDT na Câmara dos Deputados caiu de 17 parlamentares eleitos em 2022 para apenas seis em 2026. Essa redução drástica da representação e da votação geral em todo o país expõe o partido às limitações impostas pela cláusula de desempenho, conhecida como cláusula de barreira.

As restrições legais aplicadas aos partidos que não alcançam os patamares mínimos de votos exigidos pela legislação elevam a pressão interna por estratégias de sobrevivência política. A diretoria nacional e as lideranças remanescentes passam a lidar com a necessidade urgente de articulação de alianças, fusões partidárias ou eventual integração a uma federação para manter espaço político nas próximas disputas.

No Ceará, a derrocada eleitoral reflete o processo de desestruturação que o partido passou a enfrentar após o rompimento de antigas alianças políticas e a saída de quadros fundamentais. A ruptura definitiva com o Partido dos Trabalhadores ocorrida em 2022 abriu a crise que culminou, quatro anos depois, no esvaziamento da base de sustentação do PDT e na perda expressiva de prefeitos e mandatos parlamentares.