A campanha de Ciro Gomes ao Governo do Estado e o comando da Federação União Progressista no Ceará reagiram rapidamente a uma decisão judicial que movimentou a reta final da campanha antes do primeiro turno. Na manhã da última terça-feira, um dos advogados da coligação Unir para Mudar deslocou-se para Brasília com o objetivo de contestar a liminar que interditou as candidaturas de Roberto Cláudio a vice e de Capitão Wagner ao Senado. A estratégia jurídica prevê a apresentação de dois recursos específicos para tentar sustar os efeitos da decisão proferida pelo ministro Floriano de Azevedo Marques.
As contestações serão protocoladas em duas frentes distintas, contemplando o próprio Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal. A coligação busca reverter a medida cautelar que retirou os nomes da disputa e gerou impactos diretos na estrutura eleitoral da aliança. Com a determinação, os candidatos afetados e os suplentes de senador Prisco Bezerra e Lúcio Gomes ficaram temporariamente sem os recursos públicos de campanha ainda não utilizados e fora do ar na propaganda de rádio e televisão.
O principal obstáculo apontado pela oposição é o calendário eleitoral, uma vez que a disputa se encontra na última semana antes do primeiro turno e o horário gratuito de propaganda está próximo do encerramento. A liminar permanece válida até o julgamento do recurso especial pelo plenário da Corte, instância para a qual o próprio ministro relator pediu celeridade. Contudo, a avaliação interna é de que cada dia sem os aliados na tela representa uma desvantagem considerável na disputa acirrada contra o atual governador.
A adoção de uma estratégia em duas frentes busca justamente contornar a lentidão processual, sob a premissa de que uma via pode apresentar resultados mais ágeis onde o tempo é considerado o recurso mais escasso. A controvérsia jurídica teve origem na disputa interna da Federação União Progressista, ocorrida em julho, quando a direção estadual liderada por Capitão Wagner declarou apoio a Ciro Gomes, enquanto as lideranças estaduais do União Brasil e do PP optaram por apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas.
Embora o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará tenha validado a posição da Federação anteriormente, o ministro Floriano de Azevedo Marques entendeu que a entidade partidária só poderia deliberar caso houvesse divergência direta entre os dois partidos integrantes, cenário que, segundo a decisão, não se concretizou. O episódio consolida uma dinâmica recorrente nesta campanha, na qual o confronto nas ruas e nas redes sociais é acompanhado de perto por uma intensa guerra jurídica travada pelas coligações rivais.






