Um áudio inédito enviado por Isabelle Caracristi ao primo, Alessandro Ferreira Caracristi, cerca de duas horas antes de sua morte, passou a integrar os elementos analisados pela Polícia Civil. Na gravação, conforme depoimento do familiar às autoridades, a jovem relata uma discussão com o namorado, João Munhoz Neto, e pede que o conteúdo seja entregue à polícia caso algo lhe acontecesse. A revelação traz novos elementos para a investigação em andamento.

De acordo com o depoimento prestado por Alessandro, o arquivo de áudio possui cerca de 16 minutos de duração. O primo relatou que Isabelle afirmou ter sido ameaçada durante o embate com João e pediu expressamente que o companheiro fosse responsabilizado caso viesse a sofrer algum dano. A existência do material e os detalhes do depoimento foram divulgados nesta quarta-feira.

O conteúdo da gravação agora é examinado pelos investigadores em conjunto com mensagens extraídas do celular da vítima, imagens de câmeras de segurança e outros depoimentos colhidos no inquérito. Até o momento, a Polícia Civil ainda não emitiu uma conclusão definitiva sobre a dinâmica exata da queda que resultou na morte da estudante.

No depoimento, Alessandro também mencionou um episódio ocorrido cerca de uma semana antes do falecimento. Segundo o relato, Isabelle ligou para dizer que não suportava mais a convivência com João, reclamando de ciúmes excessivos e de restrições impostas ao seu contato com familiares e colegas de trabalho.

Durante essa ligação anterior, o primo afirmou ter ouvido a voz de João ao fundo exigindo que Isabelle desligasse o telefone. Conforme o depoimento, a jovem também teria manifestado a intenção de denunciar o namorado na Justiça do Trabalho e pediu ao familiar que desconfiasse de eventuais versões apresentadas por ele.

Paralelamente aos áudios, os dados recuperados do celular de Isabelle também são avaliados pelos peritos. A apuração apontou uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos registros do aparelho, compreendida entre as duas horas da madrugada do dia 13 de setembro e o horário estimado do óbito, por volta das 20h40.

O dispositivo móvel sofreu danos decorrentes da queda, exigindo um trabalho técnico de recuperação de informações a partir de um backup e de dados fornecidos por servidor. Peritos ressaltam que a ausência de registros nesse intervalo, de forma isolada, não permite assegurar que houve apagamento ou adulteração intencional de mensagens.

Advogadas que representam a família também confirmaram a existência de outros registros de voz enviados pela jovem antes do óbito. Nesses arquivos adicionais, Isabelle pedia crédito às suas palavras e apontava divergências nas narrativas fornecidas por João sobre os fatos, mantendo todo o material sob análise policial.