O proprietário da empresa de advocacia onde Isabelle Caracristi trabalhou informou em depoimento nesta quarta-feira que a jovem de 22 anos o procurou para relatar que se sentia sufocada no ambiente profissional pelo namorado. De acordo com a representação jurídica do empresário Rudá Bezerra de Carvalho, o depoimento prestado à polícia detalha que a estudante permaneceu por cerca de 20 dias como estagiária na Focus Correspondência Jurídica, local onde conheceu o gestor João Munhoz Neto.

O advogado Leandro Vasques, que representa o proprietário, explicou que o empresário soube por terceiros sobre o relacionamento entre os dois funcionários e decidiu chamá-los individualmente. Na ocasião, a gestão solicitou que ambos mantivessem separadas as esferas pessoal e profissional para preservar a dinâmica do escritório.

Conforme o relato oficial, Isabelle retornou para informar que o namorado e gestor não permitia que ela desempenhasse suas funções profissionais de maneira isolada. Essa situação motivou uma nova advertência direcionada a João Munhoz Neto por parte da administração do escritório.

Como desdobramento das medidas internas, o proprietário determinou a alteração na disposição dos computadores na sala da empresa para evitar a proximidade física entre os dois colaboradores. Além disso, o depoimento aponta que o funcionário passou a atuar em regime de home-office e se afastou fisicamente da sede da empresa na mesma época.

O desligamento da universitária ocorreu em 17 de agosto, pedido que gerou insatisfação no namorado, que chegou a solicitar ao chefe a readmissão da jovem. O empresário também declarou às autoridades que foi procurado por João para redigir uma peça de divórcio consensual, afirmando ter ciência de que o funcionário e a ex-esposa já estavam separados havia algum tempo.