A Agência Nacional de Vigilância Sanitária divulgou um alerta, nesta quarta-feira, sobre a oferta irregular nas redes sociais de tirzepatida em pó. A substância é um medicamento injetável que ativa o receptor de GLP-1, componente presente em produtos conhecidos como canetas emagrecedoras. No país, a tirzepatida com regulamentação oficial é comercializada em estabelecimentos farmacêuticos, funcionando como o princípio ativo do Mounjaro. O insumo também pode ser obtido em farmácias de manipulação, desde que o consumidor apresente indicação e prescrição médica.
O órgão regulador destacou que não é seguro manipular e utilizar medicamentos que não tenham sido produzidos em um ambiente estéril, ou seja, totalmente livre de micro-organismos como bactérias e fungos. De acordo com a nota oficial, perfis na internet publicam vídeos em formato de tutorial nos quais usuários diluem o produto e ensinam a realizar a aplicação em casa, sem qualquer cuidado sanitário adequado. A agência ressalta que o comércio ilegal desse tipo de substância tem sido alvo frequente de ações policiais.
A instituição reforça que, como o material comercializado dessa forma não passou por nenhuma avaliação oficial, não é possível comprovar sequer a presença do princípio ativo. Conforme a nota, também não há como garantir a concentração correta do produto ou atestar a ausência de impurezas e agentes contaminantes. O órgão adverte que, quando uma substância é injetada no corpo, ela acessa o organismo de maneira direta e pode provocar infecções graves.
A autarquia federal enfatiza que a crença de que misturar um produto em pó com água ou outra solução para aplicação com seringa torna o procedimento seguro apresenta sérios perigos à saúde. A recomendação destaca que esse risco se amplifica quando não existe nenhuma garantia de esterilidade. A agência adverte que os contaminantes podem ser invisíveis a olho nu e o fato de o artigo parecer limpo ou lacrado não assegura a sua confiabilidade.
Além da tirzepatida em pó, a instituição informou que perfis nas redes sociais também divulgam e indicam o uso do peptídeo CBL-514, que possui suposto potencial para a redução de gordura localizada. No entanto, a entidade esclarece que essa substância sintética ainda se encontra na fase dois de estudos, não possuindo registro ou autorização para comercialização.
Nessa etapa de desenvolvimento, o produto ainda passa por avaliações em ensaios clínicos para confirmar ou refutar sua segurança, eficácia e qualidade. A agência conclui que, sob tais condições, não existem garantias de que os benefícios esperados possam superar os potenciais danos causados à saúde humana, reforçando que apenas itens fabricados especificamente para uso injetável e sob rigorosos controles devem ser administrados por essa via.






