A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação para desarticular uma estrutura apontada como um dos principais canais de fornecimento de entorpecentes para uma facção criminosa. A ação policial cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, seis investigados foram presos pelas autoridades durante as diligências.
Entre os alvos detidos está Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss. De acordo com as apurações conduzidas pela polícia, o investigado é apontado como fornecedor de drogas e articulador direto com lideranças da organização criminosa. A investigação aponta que ele atuava na negociação de cargas, na organização de fretes e pagamentos, além de coordenar o setor logístico do esquema.
O avanço das investigações sobre Boss ocorreu a partir de documentos apreendidos com outro suspeito apontado como liderança da facção, identificado como Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como My Thor. Nos registros de contabilidade encontrados com ele, os policiais identificaram anotações de pagamentos direcionados à pessoa chamada Boss, o que direcionou o foco da polícia para a rede de fornecimento.
A estrutura desarticulada contava com uma divisão clara de funções entre fornecedores, operadores logísticos, transportadores e responsáveis pela cobrança e recolhimento de valores. A polícia também identificou a utilização de pessoas conhecidas como laranjas e de empresas dos setores de transporte e logística para ocultar e viabilizar o envio dos entorpecentes entre os estados.
A investigação relacionou a estrutura criminosa a duas grandes apreensões de entorpecentes ocorridas no ano de 2024. Em fevereiro daquele ano, mais de 715 quilos de cocaína e maconha foram localizados em Guarulhos, no estado de São Paulo. Meses depois, outra apreensão de mais de 73 quilos de cocaína ocorreu em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, totalizando quase 790 quilos de drogas.
O braço financeiro do esquema também foi mapeado pelas autoridades por meio da análise de operações atípicas. A investigação identificou que movimentações financeiras ligadas aos suspeitos e a empresas utilizadas para ocultar recursos chegaram a R$ 70,49 milhões em um curto período de tempo.
A Operação Icarus é conduzida pelo Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral e pela Subsecretaria de Inteligência. A ação conta com a participação de órgãos de segurança do Rio de Janeiro e dos demais estados onde os mandados judiciais estão sendo cumpridos.






