O Sistema Único de Saúde passará a disponibilizar um novo procedimento cirúrgico capaz de tratar o glaucoma e a catarata de forma simultânea. A decisão do Ministério da Saúde que oficializa a medida foi publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira.

A atualização nos protocolos de atendimento foi estruturada por meio de propostas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde em conjunto com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde.

A nova abordagem médica é voltada especificamente para quadros de glaucoma primário de ângulo aberto classificados entre os níveis leve e moderado. Trata-se de uma alternativa cirúrgica considerada menos invasiva em comparação aos métodos tradicionais disponíveis atualmente.

Entre as vantagens apontadas pelo procedimento estão a recuperação mais ágil do paciente, a diminuição nas probabilidades de complicações operatórias e um controle mais eficiente da pressão intraocular, fator crítico que pode levar à perda total da visão.

Atualmente, o manejo clínico do glaucoma na rede pública segue diretrizes terapêuticas baseadas primordialmente no uso de colírios farmacológicos. Quando os medicamentos não alcançam o resultado esperado ou o paciente relata dificuldades na aplicação contínua, o protocolo recorre a aplicações a laser ou intervenções cirúrgicas isoladas.

A incorporação da nova técnica traz duas vertentes principais para os pacientes elegíveis. A primeira é a goniotomia excisional, realizada por meio de uma incisão reduzida na córnea, e a segunda é a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter inserido no canal de drenagem natural do globo ocular.

Documentos técnicos elaborados pelo órgão colegiado indicam vantagens econômicas expressivas com a mudança. A modalidade de goniotomia aponta uma redução estimada de cerca de dezoito mil reais por ano de vida saudável recuperado, enquanto a projeção financeira aponta uma economia potencial de mais de vinte e dois milhões de reais aos cofres públicos já no primeiro ano de adoção.

A catarata manifesta-se através da perda de transparência do cristalino, tornando-o opaco e comprometendo a capacidade visual com maior incidência na faixa etária idosa. Em contrapartida, o glaucoma caracteriza-se como uma enfermidade crônica que danifica o nervo óptico e reduz gradualmente a visão periférica.

Dados consolidados pela comissão técnica apontam que o glaucoma representa atualmente a segunda principal causa de cegueira em âmbito global, ficando atrás apenas da catarata, condição que também passa a ser tratada conjuntamente com o novo avanço incorporado.