Um casal acusado de envenenar e matar duas pessoas com cocaína diluída em uma garrafa de vinho em um bar no bairro Pici, em Fortaleza, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça do Ceará em decisão recente. O crime ocorreu em novembro do ano passado e os réus foram pronunciados em agosto, sendo encaminhados para julgamento no Tribunal do Júri, que ainda terá a data definida.
As mortes aconteceram no dia 3 de novembro e foram inicialmente investigadas como suspeita de intoxicação por metanol. Dias depois, um laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará constatou uma alta concentração de cocaína na bebida, identificando no sangue das vítimas uma quantidade de 15 a 20 vezes superior ao necessário para causar uma overdose fatal.
Uma das vítimas faleceu instantes após consumir a bebida e começar a passar mal, enquanto tentava ir embora empurrando seu carrinho de reciclagem e tombou morto em via pública. A segunda vítima foi socorrida para uma unidade de saúde, mas chegou ao local sem vida, enquanto outras duas pessoas que consumiram da mesma garrafa sobreviveram após internação.
O óbito das vítimas foi causado por intoxicação por cocaetileno, resultado da mistura altamente tóxica entre álcool e cocaína. O Ministério Público do Ceará denunciou os réus por dois homicídios triplamente qualificados e duas tentativas de homicídio também com qualificadoras de emprego de veneno, dissimulação e motivo torpe.
De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, a motivação envolveu ciúme e vingança, pois o réu tinha ciúmes da companheira devido a uma suposta aproximação de uma das vítimas. No dia anterior ao crime, o casal brigou e a mulher foi agredida, gerando uma intervenção de frequentadores que agrediram o suspeito.
Para executar a vingança, a mulher teria entregue a garrafa envenenada para uma vítima sobrevivente, a fim de não chamar atenção para o alvo principal. A acusação apontou que os réus agiram assumindo o risco de que outras pessoas também ingerissem a substância e viessem a óbito.
Imagens de câmeras de videomonitoramento registraram a movimentação do casal no entorno do bar no dia dos fatos. Nos registros, a ré aparece carregando uma bolsa no ombro, utilizada para transportar a garrafa adulterada, além de conversar de forma enérgica com o companheiro antes da entrega da bebida.
Após o ocorrido, o casal fugiu da residência onde morava, mas foi localizado e preso preventivamente dias depois pela Polícia Civil. Em interrogatório judicial, a ré negou o envolvimento e alegou que o estabelecimento era frequentado para consumo de drogas e prostituição, enquanto o marido permaneceu em silêncio.






