Uma semana após a morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada sem vida em um edifício residencial no bairro Aldeota, em Fortaleza, a defesa da família afirma que há provas de que a jovem vivia um relacionamento abusivo. O caso ocorreu na noite do último domingo e segue sob investigação pelas autoridades policiais, enquanto novos depoimentos e materiais são repassados para análise do delegado titular.

Segundo a advogada Patrícia Viana, a família tem recebido diversas ligações e áudios que indicam uma rotina de constante monitoramento exercida pelo namorado. O material aponta que a estudante, descrita como alegre e cheia de vida, mudou de comportamento e de convivência com amigas após iniciar o relacionamento e passar a residir na residência do companheiro junto com a família dele.

Entre os elementos relatados pela defesa, um áudio de testemunha aponta que Isabelle sofria restrições severas no dia a dia. A investigação também aponta a existência de rastreadores instalados nos telefones celulares tanto da vítima quanto do namorado, detalhe que não era de conhecimento prévio dos familiares da jovem universitária.

A mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, também classificou o comportamento do ex-genro como controlador, obsessivo e fora do normal. Em um vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora relembrou episódios em que o homem tentou interferir em situações cotidianas, como em uma consulta ginecológica, acendendo alertas sobre a dinâmica da relação.

Até a tarde de domingo, a defesa informou não ter informações sobre o paradeiro do namorado, da mãe e do irmão dele, que moravam no apartamento onde a jovem estava. Imagens de câmeras de segurança indicam que o companheiro e a mãe dele não estavam no edifício no momento em que a universitária morreu.

O inquérito policial segue em andamento com a realização de perícias e exames complementares para determinar a causa exata da morte. A expectativa das autoridades é de que a investigação seja concluída no prazo de até 90 dias, enquanto familiares e manifestantes cobram esclarecimentos sobre os fatos.