Água para irrigação: o dilema no Ceará
Uso de recursos hídricos para culturas de valor agregado versus commodities é debatido.
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A gestão da água para irrigação no Ceará, especialmente em regiões com escassez hídrica, tem sido um ponto de atenção. A discussão se intensifica com o desejo de agricultores em Ocara de implantar um polo produtor de milho, uma commodity, em uma área próxima ao Eixão das Águas, que está em processo de ampliação de sua vazão.
A prioridade para o uso da água, segundo a legislação, é o consumo humano, seguido pela dessedentação animal e, por último, a atividade econômica. O debate reside na comparação entre a rentabilidade e o consumo de água de culturas de valor agregado, como frutas e camarão, e a de commodities como o milho.
Estudos indicam que o cultivo de frutas e a carcinicultura geram receitas significativamente maiores e empregam mais pessoas com o mesmo volume de água utilizado para a produção de milho. Diante da disponibilidade limitada de água no estado, os órgãos responsáveis pela gestão de recursos hídricos devem outorgar o uso mediante critérios técnicos e análise de custo-benefício.
A produção de milho no Ceará, historicamente, é realizada em regime de sequeiro, com produtividade garantida por sementes selecionadas e orientação técnica. A migração para a irrigação, especialmente para culturas de commodities, levanta questões sobre a eficiência econômica do destino da água, considerando que o mesmo volume poderia ser destinado a atividades de maior retorno financeiro e geração de empregos.