Estudo: Gravidez Precoce Afeta Carreira e Educação de Mulheres
Pesquisa revela que 83% das jovens que engravidaram cedo perderam emprego ou oportunidades.
Reprodução/Divulgação
Um estudo recente aponta que a gravidez na infância ou adolescência impacta significativamente a vida profissional e educacional das mulheres brasileiras. A pesquisa "Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil", realizada pela Plan Brasil, ouviu mais de 1,5 mil jovens e revelou que cerca de oito em cada dez (83%) já precisaram deixar um emprego ou perderam oportunidades de trabalho devido ao cuidado com os filhos.
Os dados indicam que essas jovens acumulam desvantagens em diversas áreas, como educação, trabalho, renda e saúde, quando comparadas àquelas que não passaram pela experiência. A evasão escolar é um dos pontos críticos, com 61% das que engravidaram precocemente parando de estudar, contra 33% das demais.
O estudo também destaca que a gravidez precoce frequentemente interrompe planos de vida, seja nos estudos, no esporte ou na carreira. Relatos de jovens mostram a sensação de que a vida muda drasticamente após a gestação nessa fase.
Além disso, a pesquisa expõe falhas na garantia de direitos sexuais e reprodutivos, com relatos de coerção contraceptiva e violência obstétrica. A discriminação também é uma realidade para a maioria, que se sente julgada em sua capacidade intelectual, moral e profissional.
A Plan Brasil recomenda políticas públicas integradas para prevenção, garantia de educação sexual, acesso a métodos contraceptivos, universalização de creches e combate à violência obstétrica e coerção contraceptiva.