Doença de Chagas: Risco cardíaco dobra após cirurgia
Estudo da USP aponta mortalidade 2,4 vezes maior em pacientes com arritmias graves.
Reprodução/Divulgação
Pacientes com doença de Chagas e arritmias cardíacas graves enfrentam um risco de mortalidade significativamente maior após cirurgias cardíacas. Um estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), com base em dados do Hospital das Clínicas, revelou que o risco de morte para este grupo é cerca de 2,4 vezes superior em comparação com pacientes que possuem outras doenças cardíacas.
A pesquisa analisou o cenário pós-operatório de pacientes submetidos a intervenções cardíacas, indicando uma taxa de mortalidade geral de 36% entre os portadores de Chagas com arritmias graves. A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e pode afetar o coração, levando a arritmias potencialmente fatais.
O estudo destaca a gravidade da condição, onde o coração pode ter seu funcionamento comprometido. Procedimentos como a ablação por cateter são utilizados para tratar essas lesões, sendo um método comum também para outras enfermidades cardíacas.
Estima-se que sete milhões de pessoas no mundo convivem com a doença de Chagas, com cem milhões em áreas de risco. A infecção, transmitida principalmente pelo inseto barbeiro, afeta 21 países da América Latina e tem casos pontuais em outras regiões, com menos de 10% dos infectados diagnosticados.
As conclusões da FMUSP reforçam a necessidade de atenção especial e acompanhamento rigoroso para pacientes com doença de Chagas que necessitam de procedimentos cirúrgicos cardíacos, visando mitigar os elevados riscos identificados.