Zelensky projeta adesão à UE até 2027 e propõe trégua energética em meio a ataques
Presidente ucraniano condiciona integração acelerada ao bloco europeu a garantias de segurança pós-guerra, enquanto busca cessar-fogo em infraestrutura e rejeita cedências territoriais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta sexta-feira (30) que o país estará "tecnicamente pronto" para integrar a União Europeia (UE) até 2027. A declaração, feita durante negociações em Abu Dhabi, sublinha a visão de Zelensky de que uma adesão "acelerada" ao bloco é crucial para as garantias de segurança da Ucrânia após o fim do conflito com a Rússia. Ele indicou que os principais requisitos para a integração serão cumpridos até o final de 2026, reiterando um desejo previamente expresso por uma união mais rápida.
A projeção otimista de Zelensky ocorre em um cenário de intensos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana, forçando a população a enfrentar um rigoroso inverno sem aquecimento adequado. Em resposta, o líder ucraniano propôs uma trégua: a Ucrânia não atacará a Rússia se Moscou suspender os bombardeios à sua rede energética. Contudo, Zelensky negou qualquer acordo formal de cessar-fogo sobre alvos energéticos, descrevendo a iniciativa como uma proposta dos EUA, não um compromisso bilateral. Ele também denunciou a interrupção das trocas de prisioneiros de guerra pela Rússia.
Paralelamente, a busca por um acordo de paz duradouro permanece complexa. Enquanto Washington sinaliza que garantias de segurança pós-guerra poderiam depender da Ucrânia ceder soberania sobre a região de Donbas à Rússia, Zelensky tem sido enfático na defesa da integridade territorial ucraniana. Recentes reuniões trilaterais em Abu Dhabi, envolvendo EUA, Ucrânia e Rússia, foram classificadas como "construtivas", mas não resultaram em um acordo concreto. Zelensky reiterou sua disposição para um encontro de líderes para selar a paz, mas categoricamente recusou Moscou ou a Bielorrússia como locais, chegando a convidar publicamente o presidente russo, Vladimir Putin, para Kiev.
Fonte: G1