Bancos Centrais mantêm juros em pausa, mas Brasil sinaliza corte em breve
Decisão simultânea dos bancos do Brasil e dos EUA reflete cautela global, com Copom abrindo portas para flexibilização da política monetária a partir de março.
Em uma decisão coordenada que ecoou nos mercados globais, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos optaram nesta quarta-feira (28) por manter suas respectivas taxas de juros inalteradas. A medida, que reflete um cenário de cautela em meio a incertezas econômicas mundiais, congela a taxa básica brasileira em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, patamar não visto desde maio de 2006. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) estacionou sua taxa entre 3,5% e 3,75% ao ano, interrompendo um ciclo de três quedas.
Nos Estados Unidos, a manutenção dos juros veio após intensa pressão inflacionária e política, incluindo manifestações do então presidente Donald Trump. O presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou a independência da instituição, afirmando que as decisões seriam baseadas em dados econômicos, e não em interferências externas. Apesar da divisão entre os diretores, com dez votos pela manutenção e dois pelo corte, o comunicado do Fed destacou a expansão econômica sólida, mas alertou para uma inflação ainda elevada e a persistência de incertezas nas perspectivas.
Enquanto o mercado já previa a manutenção do aperto monetário no Brasil, a surpresa veio com uma mudança de tom do Comitê de Política Monetária (Copom). O comunicado indicou explicitamente a possibilidade de iniciar a flexibilização da política monetária já na próxima reunião, em março, "em se confirmando o cenário esperado". A sinalização, ainda que cautelosa diante do contexto geopolítico, impulsionou a Bolsa brasileira a um novo recorde de 184.691 pontos, com alta de 1,52%, e manteve o dólar estável a R$ 5,20, evidenciando um fluxo de recursos favorável ao país.
Fonte: G1