Cinco homens denunciados pelo assassinato da vereadora cearense Jucely Alves Arrais, ocorrido em 2017 no município de Aiuaba, teriam contato e articulação com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. A informação consta em documentos do inquérito policial e foi obtida junto a fontes da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará. O Ministério Público do Estado do Ceará ofereceu denúncia contra o grupo, nove anos após o crime que aconteceu em meio a uma sequência de episódios violentos na região.

A morte da parlamentar ocorreu em um contexto de retaliação iniciada após uma execução registrada em outubro de 2016, alguns meses antes do atentado. A investigação aponta que a violência na área também esteve ligada a rivalidades entre famílias, disputas políticas e interesses econômicos. Os denunciados pelo Ministério Público foram identificados como Antônio Neves Pereira, conhecido como Sr. Tonho; Francisco André Gonçalves Feitosa; Francisco Elton da Silva Sousa, o Teta do Felipe; Antônio Eldo Nogueira de Sousa, o Eldo do Felipe; e Antônio de Araújo Chaves Neto, chamado de Tonho da Ronda.

De acordo com a apuração baseada nos documentos oficiais, Antônio Neves Pereira teria orquestrado a ação criminosa, enquanto Francisco André Gonçalves Feitosa forneceu transporte e apoio aos executores. Os irmãos Francisco Elton e Antônio Eldo ficaram encarregados de monitorar a vítima e levantar informações. O último denunciado teria dado suporte ao grupo criminoso. Um policial militar afastado das funções e investigado por participação em milícia chegou a ser investigado por suspeita de envolvimento no homicídio, mas não foi incluído na denúncia.

Semanas antes de ser assassinada na localidade de Bom Nome, em Aiuaba, a vereadora passou a receber mensagens com ameaças direcionadas a seus familiares, especialmente ao seu marido, Francisco Alves de Sousa, conhecido como Josa, que viria a perder a vida menos de um mês depois. Ela havia expressado o receio de sofrer um atentado. Conforme os registros, Antônio Eldo seria o autor das mensagens intimidatórias, enviando fotografias do marido para a parlamentar, enquanto Francisco Elton foi visto rondando a residência da vítima nos dias anteriores ao crime.

Imagens obtidas do dia do atentado mostram o momento em que um veículo do modelo Palio parou em frente à residência da parlamentar, de onde desembarcaram sete indivíduos armados e encapuzados, sendo que pelo menos três utilizavam coletes balísticos. A família da vítima possui um histórico marcado por episódios de violência que remontam ao início dos anos 2000, incluindo as perdas violentas do pai da vereadora em 2011 no Piauí, de dois irmãos em 2003 e de dois tios em 2004, todos ocorridos na mesma região do distrito de Bom Nome.

A escalada de violência incluiu ainda o falecimento de outro irmão da parlamentar em um ataque a tiros ocorrido um mês antes de seu próprio homicídio. Menos de trinta dias após a morte da vereadora, seu marido foi atingido por disparos na capital cearense, enquanto estava sentado na calçada com parentes. Ele era irmão de José Valmir de Sousa, também ex-vereador de Aiuaba, executado em setembro de 2016 durante um comício na cidade, antecedendo uma série de conflitos que se intensificaram com a morte de Marcos Baladeira.