Mais de 135 mil eleitores do Ceará tiveram o segundo voto para o Senado Federal anulado após confirmarem o número de um mesmo candidato nas duas oportunidades de votação nas eleições de 2026. Conforme levantamento realizado a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral, foram contabilizados 135.383 registros de anulação motivados pela repetição da mesma escolha numérica nas urnas.

Neste pleito, os votantes puderam selecionar dois candidatos ao Senado em razão da disputa por duas das três cadeiras destinadas a cada estado. A legislação eleitoral, contudo, proíbe que o mesmo postulante receba os dois votos de um único eleitor, fazendo com que o primeiro registro seja validado e o segundo considerado nulo.

Os dados integram uma análise dos Registros Digitais de Voto disponibilizados pelo TSE, permitindo identificar os números digitados sem revelar a identidade dos eleitores. O número da senadora eleita Luizianne Lins concentrou a maior quantidade de anulações por repetição, com 40.247 registros no total.

Em seguida aparecem o número do senador reeleito Cid Gomes, com 34.831 registros, e o do candidato derrotado Alcides Fernandes, que somou 34.811 repetições. O número do candidato derrotado Capitão Wagner também registrou marca expressiva, alcançando 24.777 anulações por repetição nas urnas.

Juntos, esses quatro números concentraram 134.666 votos anulados, equivalendo a aproximadamente 99,5 por cento das repetições identificadas no levantamento. Outros números somaram marcas menores, como 370 registros para uma opção, 256 para outra, além de quantidades inferiores em demais códigos.

A análise dos dados permite identificar os números utilizados, mas não revela a motivação exata dos eleitores no momento do pleito. Desse modo, não é possível determinar se as repetições ocorreram por desconhecimento das regras, confusão na cabine de votação ou intenção deliberada de anular a segunda escolha.

Na disputa oficial pelas vagas, Cid Gomes foi reeleito com mais de 3,03 milhões de votos, enquanto Luizianne Lins conquistou a segunda cadeira com mais de 2,82 milhões. Capitão Wagner obteve mais de 2,01 milhões de sufrágios e Alcides Fernandes alcançou 1,77 milhão.

Segundo o levantamento, mesmo se os votos anulados por repetição fossem contabilizados para os respectivos candidatos, o resultado final da eleição não sofreria alteração. As mudanças eventuais se limitariam apenas às votações individuais de cada concorrente na disputa estadual.

A votação para o Senado ocorreu em duas etapas consecutivas na urna eletrônica, conforme as regras da Justiça Eleitoral para o pleito. A Resolução nº 23.751 do TSE estabelece que a repetição do candidato na segunda etapa resulta na anulação da segunda escolha, sem invalidar a primeira.