O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de trabalho 6x1. A decisão marca uma mudança de postura do parlamentar, que anteriormente havia classificado a iniciativa como oportunista. Apesar do voto favorável, o senador impôs uma ressalva, afirmando que o governo federal deve arcar com os custos da medida, sob o argumento de que o setor empresarial estaria sobrecarregado.

O posicionamento de Flávio Bolsonaro ocorre após cobranças públicas feitas pelo presidente Lula nas redes sociais. Em declarações recentes, o senador reiterou que, embora apoie o fim da escala, entende que os empresários não teriam condições financeiras de absorver o impacto da mudança sem uma compensação estatal.

Anteriormente, no início de outubro, o parlamentar havia criticado a proposta apoiada pelo governo, acusando o Executivo de explorar o tema com fins eleitorais. Na ocasião, ele defendeu um modelo alternativo, focado na flexibilização das jornadas e no pagamento por hora trabalhada, o que, segundo ele, ofereceria maior liberdade ao trabalhador para definir seu próprio horário.

Como exemplo de sua proposta, Flávio mencionou a possibilidade de mães ou outros trabalhadores optarem por jornadas reduzidas, como quatro horas diárias, ou concentrarem o trabalho em dias específicos, como finais de semana. O modelo defendido pelo Partido Liberal busca ampliar a autonomia na negociação entre empregador e empregado.

O senador é um dos signatários da PEC 12/2026, apresentada pelo colega de partido Rogério Marinho (PL-RN). O texto propõe a flexibilização da jornada de trabalho por meio de acordos individuais, dispensando a obrigatoriedade de negociação coletiva com sindicatos da categoria.

A posição de Flávio Bolsonaro gera repercussão entre empresários que compõem sua base de apoio. Parte desse setor contava com a atuação da oposição para tentar impedir o avanço da proposta que está pautada para votação no plenário do Senado.