O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto negou ter cometido crime em depoimento prestado à Justiça comum no último dia 6 de agosto. O oficial é réu pela acusação de feminicídio contra a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, além de responder por fraude processual. O interrogatório teve duração de cerca de oito horas e antecedeu os trâmites para a viabilização de seu julgamento.
Durante a sessão, o oficial afirmou que está detido há 202 dias no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital paulista. Nitidamente mais magro, após relatar a perda de 16 quilos, o tenente-coronel declarou que não aguentava mais a situação no cárcere e manteve a alegação de que a companheira cometeu um ato de tirar a própria vida em 18 de fevereiro.
Segundo o relato sustentado pelo oficial, o disparo que atingiu a cabeça da soldado ocorreu na sala do apartamento onde o casal morava, no centro da cidade de São Paulo. O réu argumentou perante a Justiça que trabalhava honestamente desde a infância e questionou as provas reunidas ao longo da investigação conduzida pelas autoridades competentes.
A dinâmica apresentada pelo tenente-coronel aponta que Gisele teria encontrado a arma dele, guardada sobre o guarda-roupa, após o quarto ser deixado destrancado. O oficial alegou que a motivação para o ato seria a suposta recusa da soldado em aceitar o fim do relacionamento, que teria sido proposto por ele.
No entanto, as investigações policiais e os laudos periciais colocam em dúvida a versão de ato voluntário apresentada pela defesa do réu. Registros fotográficos e análises técnicas da cena do ocorrido apontam inconsistências e indicam que seria inviável a soldado ter efetuado o disparo contra a própria cabeça.
A desconfiança sobre a narrativa do coronel teve início com a chegada da primeira equipe de socorristas ao local, no bairro do Brás. Um bombeiro com quinze anos de experiência relatou em depoimento que a disposição dos elementos na cena divergia de todos os casos de ocorrências semelhantes que já havia atendido.
Gisele foi socorrida e levada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, onde perdeu a vida cerca de quatro horas e meia após ser atingida pelo disparo. Mensagens trocadas entre o casal e anexadas ao processo em andamento no Tribunal de Justiça de São Paulo também fragilizam os argumentos apresentados pelo oficial da corporação.






