As cidades de Eusébio, Maranguape e Crato passam a receber a partir deste mês uma nova tecnologia voltada para a redução da transmissão de arboviroses no Ceará. A iniciativa consiste na soltura de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que é inofensiva para os seres humanos. Quando inoculada nas fêmeas do inseto, a bactéria reduz a capacidade de transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A chegada do projeto ao Estado foi anunciada durante uma coletiva realizada em Eusébio.
O gerente de implantação da Wolbito no Brasil, Gabriel Silvestre, explicou que o objetivo principal da ação é entomológico, buscando substituir a população de mosquitos transmissores por proles que não propagam os vírus. Segundo ele, os efeitos epidemiológicos na redução de doenças costumam aparecer em um período de um a dois anos. No Eusébio, a estratégia foi planejada para funcionar de maneira preventiva contra potenciais grandes epidemias na região.
A Prefeitura de Eusébio informou que a primeira fase do projeto no município abrangerá nove bairros, alcançando mais de 32 mil moradores. O processo de liberação ocorre por meio da instalação de Dispositivos de Liberação de Ovos em campo, equipamentos semelhantes a pequenos baldes verdes colocados nas ruas. Cápsulas com água e ovos são inseridas nos recipientes, permitindo que os insetos saiam e colonizem o ambiente após quinze dias.
O trabalho de distribuição dos dispositivos no Eusébio deve durar cerca de 26 semanas, estendendo-se até março do próximo ano. Servidores municipais foram capacitados para realizar a instalação e a logística ao longo dos dias úteis. Os especialistas ressaltam que o método é autossustentável, seguro, não emprega produtos químicos e não promove alterações genéticas nos insetos.
A escolha inicial dos municípios foi definida pelo Ministério da Saúde, contando com o suporte da Fiocruz Ceará, da Secretaria da Saúde do Estado e das pastas municipais. Em Maranguape, a implantação contará com ações de diálogo e orientação com a comunidade local. No Crato, agentes de saúde já realizam pesquisas de pré-liberação em oito localidades para preparar a chegada da ferramenta.
As autoridades apontam que a expansão para outras localidades do Estado e do país faz parte das diretrizes do Sistema Único de Saúde para o controle de arboviroses. Além disso, existe a expectativa de que o Ceará possa abrigar futuramente uma unidade fabril para a produção dos insetos, que atualmente são fabricados no Paraná, caso a demanda nacional continue crescendo com a ampliação da política pública.






