O Senado Federal inicia a semana com as últimas duas sessões de discussão marcadas por debates em torno da Proposta de Emenda à Constituição que visa o fim da escala 6x1. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem sinalizado apoio à votação da matéria, considerada prioritária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes do segundo turno das eleições. O plenário realiza sessões de discussão em formato semipresencial, com expectativas da base governista de viabilizar um calendário especial para apreciar a proposta.

A movimentação ocorre em um cenário de aproximação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto, após um período de divergências políticas. Esse alinhamento tem gerado reflexos na relação com a oposição aliada a Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, a oposição ensaia uma reação liderada por nomes como a ex-ministra Tereza Cristina, que defende o cumprimento estrito dos prazos regimentais e o adiamento do debate para depois do pleito eleitoral.

Inicialmente, a gestão federal planejava votar a redução da jornada de trabalho antes do primeiro turno das eleições, mas a tramitação foi pausada para evitar impactos nas campanhas. Com o avanço do calendário, o regimento interno impõe prazos que inviabilizariam a votação em dois turnos antes da nova data de votação nacional, exigindo a articulação de um requerimento de calendário especial por parte dos governistas.

A proposta em pauta propõe a redução do atual teto de jornada de 44 para 40 horas semanais, estabelecendo dois dias de descanso. O texto prevê uma transição gradual e determina que a redução não poderá resultar em diminuição salarial. Contudo, setores produtivos e parlamentares da oposição questionam a inclusão da medida na Constituição e os impactos para empreendedores e empresas de pequeno porte.

Enquanto a discussão avança no plenário, o cenário político para o próximo período legislativo já movimenta os bastidores do Senado. O crescimento da bancada ligada ao setor oposicionista fortalece articulações para a disputa da presidência da Casa no início de 2027. Nesse contexto, as negociações em torno de pautas econômicas e sociais continuam a polarizar as forças políticas no Congresso Nacional.