O resultado das eleições de 2026 definiu a composição do próximo Congresso Nacional, mas os deputados e senadores que não conseguiram se reeleger ainda terão participação em decisões centrais para o país. Até o fim da atual legislatura, em janeiro de 2027, os parlamentares poderão votar propostas que terão efeitos sobre o governo que assumirá o Palácio do Planalto no próximo ano. Entre os principais temas estão o Orçamento da União de 2027 e a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6 por 1.
Dos 32 senadores que tentaram a reeleição em 4 de outubro, somente 14 conseguiram permanecer no cargo, enquanto os outros 18 foram derrotados, mas continuam com direito a voto até o final de janeiro. No total, 40 das 54 cadeiras disputadas no Senado serão ocupadas por novos parlamentares em fevereiro. Na Câmara dos Deputados, a renovação chegou a 42,7%, com 219 novos nomes entre os 513 eleitos.
Uma das principais decisões do Congresso no restante do ano será a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, enviado pelo governo federal em 31 de agosto. Embora a proposta tenha sido elaborada pela gestão atual, caberá ao presidente eleito em 25 de outubro executar o Orçamento a partir de janeiro. Antes disso, os parlamentares atuais poderão alterar a distribuição dos recursos e definir prioridades para áreas como saúde e educação.
A tramitação ocorre na Comissão Mista de Orçamento, que analisa as receitas e as despesas antes de encaminhar o texto ao plenário do Congresso. A previsão constitucional estabelece a conclusão da votação até o dia 22 de dezembro. O processo envolve a apresentação de emendas, a análise de relatórios setoriais e a deliberação em sessão conjunta da Câmara e do Senado.
Outra prioridade na pauta é a proposta de emenda constitucional que altera a jornada de trabalho semanal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a matéria será submetida à primeira votação em turno preliminar. A medida reduz gradualmente a carga horária semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, exigindo o apoio de pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno no plenário.
Entre os senadores que não renovaram os mandatos estão nomes expressivos como Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues. Enquanto isso, o Partido Liberal ampliou sua representação nas duas Casas legislativas, passando a contar com uma bancada maior para a próxima legislatura. A nova correlação de forças também coloca em dúvida a continuidade dos atuais presidentes à frente da Câmara e do Senado para o próximo período.






