Uma menina de 10 anos foi sequestrada pelo próprio pai em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, e mantida em situação de vulnerabilidade por 18 dias. A criança foi localizada e resgatada pela Polícia Militar na última terça-feira, no município de Praia Grande, situado no litoral paulista, enquanto o suspeito acabou preso pelas autoridades. De acordo com relatos da mãe, o período foi marcado por desespero, busca por auxílio policial e acionamento da Justiça, que expediu um mandado de prisão contra Wellington Ferreira da Silva e concedeu a guarda total da garota à genitora.

Durante o período em que permaneceu afastada da família, a menina enfrentou privações severas, dormiu na calçada e passou fome nas ruas. A mãe relatou que recebeu mensagens enviadas pelo suspeito através do celular da criança, nas quais ele exigia o envio de dinheiro sob o argumento de que os recursos financeiros haviam acabado. A vítima contou que o homem consumia bebidas alcoólicas e entorpecentes na presença dela, recusando-se a comprar alimentos e orientando-a a pedir comida em estabelecimentos comerciais e a transeuntes.

O trajeto do sequestro incluiu longas caminhadas e passagens por diferentes localidades, chegando até mesmo ao estado do Paraná antes de retornarem para o território paulista. A mãe informou que a menina precisou de atendimento médico para tratar uma ferida no pé após o resgate. No decorrer dos deslocamentos, o homem contou com auxílio financeiro de uma familiar com quem se encontrou durante o período.

O histórico do suspeito aponta antecedentes de extrema violência, incluindo um episódio em que atirou contra uma companheira anterior quando ainda era menor de idade, deixando-a paraplégica. A relação com a mãe da vítima durou 11 anos, mas o término ocorreu quatro meses antes do sequestro devido a agressões frequentes que resultaram em lesões graves. A mulher havia solicitado medidas protetivas para si e para a filha após a separação, mas apenas o pedido dela foi atendido pela Justiça.

O sequestro teve início quando a mãe e a filha caminhavam na rua e foram abordadas por Wellington, que exibiu uma arma de fogo e exigiu que as acompanhassem. O trio seguiu para um quarto de hotel em Barueri, onde a mulher foi dopada após consumir um alimento oferecido pelo agressor. Ela acordou horas depois sendo estrangulada e agredida, enquanto o suspeito fugia levando os pertences de ambos e a criança.

A Secretaria da Segurança Pública registrou a ocorrência como sequestro e cárcere privado, mantendo o suspeito à disposição da Justiça. Atualmente, mãe e filha recebem acompanhamento psicológico para lidar com os traumas decorrentes do episódio, enquanto a família aguarda os desdobramentos judiciais do caso.