O governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas, reconheceu que o campo progressista precisa avançar na formulação e execução de políticas de segurança pública, defendendo um combate mais rigoroso às organizações criminosas. Em entrevista ao Jornal O Globo, o gestor apontou que o enfrentamento às facções será um dos principais desafios de sua nova gestão à frente do executivo estadual. A declaração ocorre em um momento de debates sobre estratégias integradas para conter a violência no estado e no país.
Durante a avaliação, o governador apontou que existe uma carência de elaboração teórica e prática por parte da esquerda sobre o tema, embora tenha ressalvado que o problema não é exclusivo dessa vertente política. Elmano citou o Rio de Janeiro como exemplo de administração conduzida por forças de direita onde as facções mantêm forte presença, afirmando que chefes do crime organizado do Ceará estariam escondidos naquele estado. Para o governador, o crime organizado deve ser tratado como um problema nacional que ultrapassa as fronteiras estaduais.
O chefe do Executivo estadual defendeu a necessidade de ampliar o sistema prisional, endurecer as penalidades aplicadas a integrantes de organizações criminosas e modificar o tratamento dado a ameaças feitas em territórios dominados. Segundo ele, ameaças praticadas por faccionados não podem ser tratadas como ocorrências comuns e exigem a prisão imediata dos suspeitos. O governador também afirmou que nem a direita nem a esquerda conseguiram apresentar uma solução definitiva para o avanço da criminalidade.
Diante do cenário, Elmano propôs a construção de um acordo nacional que envolva governos e partidos de diferentes espectros políticos, incluindo a direita, para combater o que classificou como o maior problema do Estado brasileiro. O governador afirmou que sua experiência na administração estadual alterou sua percepção sobre a dimensão da criminalidade, reforçando a necessidade de uma política de repressão mais efetiva e coordenada entre União, estados e municípios.
Ao abordar os índices de criminalidade, Elmano contestou a posição do Ceará em levantamentos anteriores com base em dados de 2026 do Ministério da Justiça. O governador afirmou que os indicadores apontam o estado na décima terceira posição nacional em taxa de homicídios e que Fortaleza deixou as primeiras colocações entre as capitais mais violentas. Ele destacou reduções em roubos e homicídios, mas reiterou o foco em combater a atuação de facções nos territórios.
Por fim, o governador elogiou iniciativas federais voltadas para a integração das forças de segurança, destacando o apoio à Lei Antifacção aprovada pelo Congresso Nacional. Elmano também manifestou respaldo à Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e à criação de um ministério específico para a pasta, avaliando que as medidas são essenciais para inaugurar uma nova fase no combate à criminalidade.






