O governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas, lamentou publicamente a postura adotada por Ciro Gomes após o pleito realizado em 4 de outubro de 2026. Em entrevista ao jornal O Globo, o chefe do executivo estadual criticou o fato de o adversário não ter cumprimentado a chapa vencedora e ter publicado um manifesto questionando a lisura do processo eleitoral.

Segundo o governador, contestar o resultado das urnas sem apresentar razoabilidade significa desacreditar a própria democracia. Ao refletir sobre o tom da disputa nas urnas, Elmano pontuou que houve momentos de confronto direto que exigiram a imposição de limites institucionais diante de episódios desrespeitosos.

Apesar dos atritos registrados durante a corrida eleitoral, o mandatário avaliou que o pleito também abriu espaço para o debate de propostas e a avaliação da máquina pública. Para ele, a presença de candidatos com conhecimento a respeito da administração estadual elevou o nível das discussões em diversos momentos.

O governador também comentou o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ceará, onde o percentual de votos ficou abaixo do registrado em 2022. Ele atribuiu a variação a fatores como abstenção, dificuldades enfrentadas pelo eleitorado no dia da votação e à concentração da atenção popular na disputa local.

Na avaliação do chefe do executivo estadual, as críticas direcionadas ao Partido dos Trabalhadores e a aliados como o ministro Camilo Santana podem ter influenciado uma parcela do eleitorado cearense. Com o foco voltado para a disputa presidencial, a meta declarada é ampliar expressivamente a votação de Lula na região.

Questionado a respeito da força política do partido no Nordeste, Elmano destacou a combinação entre entregas de políticas públicas, articulação política e comunicação com a sociedade. O governador mencionou avanços no mercado de trabalho local, apontando que o estado registrou um patamar superior de trabalhadores com carteira assinada em comparação aos beneficiários de programas sociais.

Por fim, o governador defendeu que a boa gestão administrativa não se converte automaticamente em capital político sem uma estratégia articulada de comunicação e mobilização. Na visão do gestor, a experiência partidária nordestina pode servir de referência, assim como é necessário assimilar práticas bem-sucedidas de outras regiões do país.