Uma operação conjunta realizada pela polícia chilena e pela Promotoria Regional Metropolitana Sul mirou uma célula do Primeiro Comando da Capital operando no Chile. Batizada de Operação Sintonía 1533, a ação deflagrada em 28 de setembro contou com informações compartilhadas pelo Ministério Público de São Paulo. O trabalho investigativo teve como objetivo combater o tráfico transnacional de drogas conduzido por uma quadrilha composta por criminosos brasileiros e chilenos.
A força-tarefa cumpriu dezoito dos vinte e quatro mandados de prisão expedidos, sendo cinco alvos localizados fora do país e treze suspeitos que já se encontravam recolhidos no sistema prisional. Outras duas pessoas foram detidas em flagrante durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A rede criminosa mantinha contatos operacionais com integrantes em mais de vinte países, abrangendo nações da América do Sul e da Europa.
O brasileiro Lucas Leonardo de Oliveira Santos, conhecido como Negrinho, foi apontado pelas autoridades como o líder da célula da facção no território chileno. No momento em que a operação foi deflagrada, o investigado já estava preso no centro penitenciário Santiago Uno, de onde geria a quadrilha. As apurações indicaram ainda um plano para escoar quinhentos quilos de metanfetamina por um porto marítimo local, além do recrutamento de menores de idade.
O Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo identificou os primeiros indícios da presença da organização criminosa no Chile em 2019, tanto no sistema prisional quanto nas ruas. A atuação do grupo no país vizinho é motivada principalmente pelo interesse comercial no tráfico internacional de cocaína. Relatórios anteriores da promotoria já apontavam dezenas de membros batizados pela facção em território chileno.
A localização geográfica do Chile oferece vantagens logísticas para o escoamento de substâncias ilícitas para o mercado internacional. O país faz divisa com nações andinas produtoras de entorpecentes e abriga grandes portos voltados para o Oceano Pacífico, facilitando o acesso a rotas marítimas em direção a outros continentes sem a necessidade de passar pelo território brasileiro.






