A Síndrome de Guillain-Barré, uma condição neurológica rara e de natureza autoimune, tem interrompido a rotina de pacientes no Ceará ao provocar a perda súbita de força muscular. O distúrbio faz com que o sistema imunológico do próprio organismo ataque o sistema nervoso, especificamente os nervos que conectam o cérebro às demais partes do corpo. Os primeiros sinais costumam surgir de forma sutil em atividades cotidianas, dificultando a realização de tarefas simples e exigindo rápida intervenção médica.
A psicóloga cearense Leila Machado, de 63 anos, vivenciou os primeiros sintomas em junho de 2023, quando percebeu uma falta de coordenação ao tentar segurar objetos rotineiros. Ao buscar atendimento hospitalar por conta própria, o quadro evoluiu rapidamente com o agravamento da doença, fazendo com que perdesse a capacidade de respirar e necessitasse de intubação. O diagnóstico foi confirmado posteriormente por meio de exames complementares, a exemplo da eletroneuromiografia.
O neurologista Luís Edmundo Furtado explica que o diagnóstico da síndrome é essencialmente clínico, embora exames como a punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano e a eletroneuromiografia sejam fundamentais para sustentar a hipótese e excluir outras patologias. No caso de Leila, a evolução foi considerada fulminante, resultando em paralisia total com preservação da cognição durante o período mais crítico da internação.
No Ceará, a Secretaria de Estado da Saúde informou que dois casos da doença foram identificados em unidades de rede estadual entre os anos de 2025 e 2026. A Pasta pontua, contudo, que a condição não está inserida na lista de notificação compulsória, o que significa que os estabelecimentos de saúde não têm obrigatoriedade de comunicação imediata às autoridades sanitárias, fator que dificulta o mapeamento real da incidência no território cearense.
Outro registro no estado envolveu a moradora de Tianguá, Francisca Vanda, de 38 anos, que recebeu o diagnóstico há quatro anos após sentir os dedos dormentes e perder a força motora progressivamente. Internada na Santa Casa de Sobral, ela obteve confirmação da síndrome no nono dia e apresentou melhora rápida após o tratamento com imunoglobulina humana, recebendo alta para dar continuidade à recuperação por meio de sessões de fisioterapia.






